Mercado de automóveis pode sofrer com a crise
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quinta-feira, 02 de outubro de 2008
Wilhan Santin<br>Reportagem Local 
A cada balanço divulgado pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos (Anfavea), os números revelados indicam crescimento do setor no Brasil. Depois de colocarem nas ruas 2,977 milhões de automóveis em 2007, as montadoras já chegaram à produção de 2,32 milhões de unidades nos oito primeiros meses de 2008. Em comparação com o mesmo período do ano anterior, o aumento de produção é de 20%. Já as vendas cresceram ainda mais: 26%.
Para comercializar os ''zero quilômetros'', a indústria oferece facilidades ao consumidor, principalmente em relação ao financiamento. Operam no mercado financeiras especializadas em parcelamentos de automóveis. No entanto, na opinião do economista Hermas de Melo, o grande número de carros vendidos parcelados ''a perder de vista'' pode gerar uma crise econômica no país, semelhante à ''bolha imobiliária'' que estourou nos Estados Unidos em 2007.
''Hoje, vendem-se muitos carros porque é necessário sustentar uma alta produtividade da indústria. Saem das concessionárias muitos automóveis, financiados a altas taxas de juros, pois quem paga regularmente acaba suprindo a falha daquele que está inadimplente. Porém, para um futuro próximo, é possível que mais gente comece a não pagar as parcelas, pois há a tendência de um aumento de custo de vida e um crescimento menor da economia do país, obrigando as pessoas a cortar gastos'', comenta o economista, ressaltando que a ''bolha automobilística brasileira'' deve estourar já no próximo ano ou no início de 2010.
Questionado sobre a taxa de juros - divulgada pelo Banco Central - para automóveis, que é de 3,7% contra 7,5% da taxa geral do país, Melo reitera que é provável que ocorra um aumento nesse índice. ''Pesquisas mostram que, em caso de diminuir gastos, o último sacrifício que o brasileiro faz é parar de investir no carro. Além disso, acontecem, hoje, muitas renegociações de dívidas'', destaca.
Convidado a opiniar também sobre um provável reflexo imediato da crise econômica que assola as bolsas mundiais, Melo diz que o Brasil não deve enfrentar grandes problemas. ''A economia brasileira vive um bom momento, com boa produção agrícola e industrial''.
A reportagem da FOLHA entrou em contato com a Anfavea. Porém, de acordo com a assessoria de imprensa da instituição, nenhum diretor comentaria a previsão do economista.


