A decisão do Federal Reserve o Banco Central dos Estados Unidos de reduzir ontem as taxas básicas de juros em 0,5 ponto porcentual (leia na página 1 deste Caderno) veio ao encontro das expectativas do mercado. Queda dos juros é sempre um componente bem-vindo para o mercado de ações, ainda que embuta uma preocupação séria do Fed em relação ao combalido nível de atividade norte-americano.
No mercado americano acabou prevalecendo um otimismo moderado: a Nasdaq subia 0,24% às 18 horas, fechando com pequena alta de 0,17%, e o índice Dow Jones operava em ligeira queda de 0,06%, encerrando o dia em baixa de 0,46%. No Brasil, a queda das taxas foi bem-vinda, uma vez que este movimento poderá eventualmente levar o Copom a reduzir a Selic (juro básico do País) até o fim do ano.
A Bovespa fechou em alta de 2,06%, com ótimo volume financeiro de R$ 916 milhões. Foi o maior giro em dias normais desde 24 de janeiro (R$ 928 milhões). De acordo com operadores, está se criando um clima positivo para o mercado acionário. Falta agora o crescimento das captações dos fundos de ações, que trariam liquidez e consistência para os negócios. O temor das pessoas físicas com a Argentina ainda é grande e talvez demore algum tempo para que estes parceiros se convençam do descolamento do Brasil com o país vizinho (onde foi feriado ontem) e se sintam seguros para reaplicar parte de sua poupança em ações.
O mercado de juros continua embalado pelo entusiasmo com o ''descolamento'' do Brasil da crise argentina. As projeções de juros futuros dos contratos de DI caíram mais nesta terça-feira, assim como recuaram as taxas dos títulos públicos leiloados pelo Tesouro, em relação ao leilão da semana passada. Começam a pipocar aqui e ali as primeiras conversas sobre a possibilidade da queda da Selic (hoje em 19% ao ano) se não neste mês, talvez em dezembro ou janeiro do ano que vem.
O dólar comercial rompeu ontem uma sequência de cinco dias úteis com quedas acumuladas de 4,58%. A moeda norte-americana encerrou com ligeira alta de 0,31%, cotada a R$ 2,61 na venda. Mas durante os negócios, o comercial testou várias vezes um novo piso abaixo de R$ 2,60. Na mínima, foi vendido a R$ 2,5880 (-0,54%) e, em três momentos, tentou se manter em R$ 2,5990 (-0,12%). Segundo operadores ouvidos pela Agência Estado, esse comportamento da moeda ainda reflete a melhora de perspectivas provocada pela desvinculação da economia doméstica da situação argentina.
O fechamento em alta do dólar refletiu o desânimo do mercado com a possibilidade de não haver ingresso de recursos decorrente da venda da Copel, afirmaram os profissionais das mesas de operação. O preço mínimo da empresa é de cerca de US$ 1,9 bilhão. Além da belga Tractebel e a Vale do Rio Doce já terem reafirmado desinteresse pela empresa do Paraná, ontem a Votorantim anunciou que está fora do leilão.(leia mais na página 1). Segundo os operadores, o novo fracasso desse leilão ainda poderá provocar alguma pressão de alta sobre o dólar hoje.

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