São Paulo - O mercado brasileiro pode registrar entre US$ 25 bilhões e US$ 30 bilhões em ofertas de ações este ano, com base na demanda das empresas por recursos para viabilizar seus projetos de expansão. A projeção é de Fábio Nazari, executivo da área de mercado de capitais do BTG Pactual.
Líder em número de emissões realizadas em 2010, de acordo com ranking da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), o BTG estima um total de 30 a 40 operações em 2011. ''Hoje já é possível visualizar uma demanda de US$ 20 bilhões entre as operações que estão para vir a mercado'', afirma Nazári.
O executivo pondera que a estimativa dependerá das condições de mercado, mas diz que, se os números forem confirmados, 2011 será o melhor ano para o mercado brasileiro em uma década. ''Teremos a melhor combinação entre qualidade dos ativos, volume de operações, demanda e qualificação dos investidores'', diz.
Para Nazari, a janela de oportunidade para as empresas realizarem ofertas de ações está aberta desde 2009, apesar de momentos de maior instabilidade como o primeiro semestre do ano passado, quando várias operações foram canceladas ou saíram com preço abaixo do estimado. Ele avalia que a concentração de ofertas neste início de ano é um ''legado de 2010'', que também contou com a megacapitalização da Petrobras, responsável por praticamente paralisar o mercado e apertar o cronograma para as demais companhias.
Questionado sobre quais fatores poderiam atrapalhar os planos das empresas interessadas em abrir o capital, o executivo do BTG destacou o cenário macroeconômico externo, mais precisamente na Europa.
Renda fixa
No mercado de renda fixa - tradicionalmente concentrado em empresas de setores como concessão de rodovias, energia e telefonia - o ano deve ser marcado por uma maior diversificação das ofertas, segundo Daniel Vaz, executivo responsável pela área no BTG. Ele citou como exemplo a emissão de R$ 900 milhões da Amil, anunciada no final do ano passado.
Vaz se mostra otimista para emissões neste ano e destaca as medidas do governo para estimular o financiamento de longo prazo da economia, como a isenção de imposto de renda para o investidor estrangeiro na compra de debêntures.

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