Os investidores do mercado de ações adotaram o "modo cautela" na véspera da apresentação do relatório da reforma da Previdência na comissão especial da Câmara e o Índice Bovespa terminou esta quarta-feira (12) em queda de 0,65%, aos 98.320,88 pontos. Em meio ao vencimento do Ibovespa futuro, pesaram notícias sobre o teor do relatório do deputado Samuel Moreira (PSDB-SP). O temor de redução da potência fiscal da reforma e a exclusão dos Estados e municípios do texto foram fatores que aumentaram o grau de prudência no mercado. O pregão começou instável, refletindo influências positivas e negativas dos cenários interno e externo. Na máxima, o Ibovespa chegou aos 99.239,50 pontos (+0,28%).

Dólar sobe após declarações de Rodrigo Maia (DEM-JR)

Após cair a R$ 3,83 na manhã desta quarta o dólar mudou o ritmo e passou a subir na parte da tarde, acompanhando a valorização da moeda americana no exterior e também repercutindo as declarações do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), de que os Estados e municípios vão ficar fora da reforma da Previdência. O dólar à vista fechou em alta de 0,45%, a R$ 3,8669. Com os Estados e municípios saindo, o responsável pela área de câmbio da Terra Investimentos, Vanei Nagem, destaca que pode ficar um pouco mais difícil aprovar o texto. Ele ressalta ainda que a declaração de Maia sobre o sistema de capitalização ficar fora da reforma também não repercutiu bem perto do fechamento.

Juros futuros fecham em leve alta na etapa regular

O mercado de juros passou por um movimento discreto de realização de lucros a partir da reta final da etapa regular e a taxas fecharam em leve alta. A correção teve como argumento o noticiário em torno da reforma da Previdência, nesta véspera de apresentação do texto do relator Samuel Moreira (PSDB-SP) à comissão especial. A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2021 fechou em 6,190%, de 6,169% terça-feira no ajuste, e a do DI para janeiro de 2023 encerrou na máxima de 7,11%, de 7,061% terça-feira no ajuste. A taxa do DI para janeiro de 2025 subiu de 7,591% para 7,63%.

Mercado vê pouco espaço para alívio das taxas

Players viram a correção das taxas como natural, diante do volume de prêmios retirado nas últimas semanas, estimulado pela melhora no cenário de inflação, atividade patinando e sinais no exterior de juros ainda mais baixos nas principais economias. O mercado também vê pouco espaço para alívios adicionais. "As taxas caíram muito e agora é necessária a confirmação da queda da Selic. Não tem como caírem muito mais, nem como subir muito", disse o economista-chefe da Necton Investimentos, André Perfeito. A poucos dias da decisão do Copom, ele diz ver o Banco Central "numa armadilha", pois se cortar a Selic a sinalização será de alta de juros à frente e a curva empina.

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