A sinalização de uma boa safra indica que os bons resultados alcançados pelos produtores paranaenses devem trazer reflexos positivos também ao mercado imobiliário. Estimativas otimistas de imobiliaristas ouvidos pela reportagem da FOLHA projetam uma valorização da terra a partir do término da safra, quando os agricultores devem estar mais capitalizados. Além de quitar dívidas contraídas anteriormente, a expectativa do setor é que o dinheiro gerado no campo movimente o mercado imobiliário rural e urbano.
O vice-presidente do Sindicato da Habitação do Paraná (Secovi), Silvinho Iwata, proprietário da Imobiliária Silvio Iwata, de Maringá (Região Noroeste), aposta em um boom imobiliário após o término da safra. ''Os preços (da terra) estão estáveis, mas também não há muita oferta. O que já estamos percebendo é uma valorização das terras que estão localizadas próximas às usinas de álcool e açúcar. Isto é sintomático'', salienta sem, contudo, precisar os índices de reajuste.
Segundo o imobiliarista Carlos Mário Stersa, proprietário da Imobiliária Stersa, de Londrina, este comportamento também já está sendo registrado na região de Porecatu (85 km ao norte de Londrina), onde está instalada uma usina de álcool e açúcar. Na área, o valor do alqueire - que está atrelado à cana-de-açúcar - já teve um reajuste médio de cerca de 10% somente neste ano. Na região de Maringá, o preço do alqueire varia de 1 mil a 1,2 mil sacas de soja. Com a cotação da oleaginosa na casa dos R$ 30 (atingida nesta semana), o alqueire estaria sendo negociado por R$ 30 mil.
Em Ponta Grossa (Região Centro-Sul), a expectativa é que as terras valorizem cerca de 20% a partir do término da safra. ''O mercado está com comprador, temos várias negociações em andamento, mas estamos aguardando o resultado da safra para que os negócios sejam efetivados'', afirma Fernando Tavarnaro, um dos proprietários da Imobiliária Tavarnaro, de Ponta Grossa. De acordo com ele, naquela região o alqueire está sendo negociado por cerca de R$ 25 mil. ''Não temos usado a soja como moeda devido à instabilidade do valor'', informa.
Em Cascavel (Região Oeste) o mercado iniciou uma reação neste mês, ainda que de forma lenta. ''Pode ser que haja uma procura maior comece entre abril e maio (com a colheita concluída). Os produtores estão com muitas dívidas e a cotação da soja também caiu'', afirma Paulo Portelinha, corretor de imóveis da Ideal Imobiliária, de Cascavel. No entanto, o preço da terra está atrelado à soja que, nesta semana, teve um reajuste. Conforme Portelinha, o preço do alqueire tem variado de 1 mil a 1,5 mil sacas de soja.
Mercado - Já em Londrina o mercado não tem esboçado qualquer reação. Em muitos casos, o valor do alqueire não chega a mil sacas de soja. ''Temos fazendas a 30 quilômetros de Londrina ofertadas por R$ 30 mil o alqueire e o proprietário não consegue vender'', comenta o imobiliarista Carlos Stersa, de Londrina. Na sua avaliação, a desvalorização do dólar frente ao real contribuiu para a queda na rentabilidade do produtor rural. ''Como a lavoura foi ruim nos últimos dois anos há muita oferta de terra e, por isso, acho difícil uma reação no mercado'', salienta.
Na avaliação da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) o mercado da terra não deverá ter qualquer alteração neste ano. A justificativa é o alto nível de endividamento dos produtores rurais e os preços das commodities agrícolas que, embora teham atingido bons patamares no mercado externo, no Brasil a cotação não tem sido satisfatória devido à valorização do real.

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