Foi a sexta-feira que o governo Fernando Henrique pediu a Deus. No último dia útil antes das eleições, Wall Street cooperou e o Dow Jones disparou 152,16 pontos, ou 1,99%, para 7.784,69 pontos. A princípio, o que deu gás à bolsa novaiorquina foram rumores de que o secretário do Tesouro norteamericano, Robert Rubin, anunciaria um pacote de ajuda ao Brasil. Rubin, contudo, limitou-se a apoiar as reformas comandadas por FHC e rumou para o Tesouro para se reunir com o ministro Pedro Malan.
Ainda assim, o Dow Jones não esmoreceu, levando a Bovespa a fechar com valorização de 7,53% e volume de negócios de R$ 399 milhões, um pouco melhor do que o dos últimos pregões. O mercado comprou a idéia de que o G-7 poderá anunciar finalmente um pacote de recursos ao Brasil, assim que confirmada a reeleição de FHC no domingo.
Ainda que o ambiente estivesse francamente favorável às bolsas brasileiras, pelo sim, pelo não, o BNDES deu uma força ao mercado no final do pregão, atuando na ponta de compra.
No início da tarde, causaram um certo frisson as declarações do diretor de análise do FMI, Michael Mussa, sugerindo a necessidade de se aumentar o ritmo das desvalorizações cambiais no Brasil. Mais tarde, em outro evento, Mussa foi mais comedido e disse que seria irresponsável dizer ao País o que fazer.
Mas houve outras declarações que acabaram se sobrepondo àquela, como a do presidente do Bundesbank, Hans Tietmeyer, confirmando que os governos estrangeiros e instituições multilaterais vão ajudar o Brasil, e a do presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, defendendo ajuda aos latinoamericanos.
O dia foi coroado pela palestra do presidente do Banco Central, Gustavo Franco, em Nova York, onde falou que as medidas fiscais começarão a ser adotadas em breve e que o programa de ajuste do governo é ‘‘muito ambicioso’’. O mercado adorou e está ansioso para que bateladas de medidas possam ser anunciadas já a partir de segunda-feira. A conferir.

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