Mercado cambial entre a cruz e a espada
A Argentina está entre a cruz e a espada na questão da liberação do mercado cambial. A unificação do câmbio, um primeiro passo para a livre flutuação do peso, é uma das exigências do Fundo Monetário Internacional (FMI) para que seja retomado o apoio financeiro ao país e uma das medidas anunciadas pelo presidente argentino esta semana.
Mas a livre flutuação poderia provocar uma maxidesvalorização, já que a expectativa é de que haja uma grande demanda por dólares. As previsões do mercado para a cotação do peso em relação ao dólar nos primeiros dias variavam hoje entre 2 e 4 pesos por dólar.
Para tentar evitar uma queda brusca na moeda, o governo anunciou também a centralização da maior parte das operações de câmbio no Banco Central. Pelos detalhes do plano conhecidos até hoje, os bancos estariam proibidos de vender dólares ao público e as casas de câmbio teriam um limite de US$ 1 mil por operação.
Mas se o governo abusar do controle das cotações, pode provocar uma explosão no câmbio paralelo, alertam especialistas. O consultor e ex-diretor da Área Externa do BC brasileiro Emilio Garofalo lembra que, em épocas em que o Brasil tinha controles de câmbio, a cotação do dólar no paralelo chegava a 200% da oficial.





