O mercado cafeeiro mundial espera com ansiedade os primeiros informes meteorológicos do Brasil, na esperança inconfessável de que as geadas destruam uma parte da colheita e reanime os preços. ‘‘Neste período do ano, são muitos os que desejam uma geada no Brasil’’, o primeiro produtor mundial de café, declarou Caroline Eagles, analista do Commodityexpert.com.
Ante os preços que continuam caindo e a ineficácia das medidas de apoio que foram aplicadas até agora, aos produtores só resta esperar que a natureza lhes dê uma ajuda, seja sob a forma de uma geada ou de uma seca. Segundo Jerome Jourquin, operador da casa de corretagem Refco, até ‘‘os produtores brasileiros esperam uma geada, porque preferem ver uma parte de sua colheita destruída se, ao mesmo tempo, ocorrer uma alta dos preços’’.
Apesar do impacto do clima sobre a produção ser posterior, o efeito sobre os preços é imediato. O preço médio da libra de café no final de maio caiu para 45,28 centavos, enquanto que, em 1998, era de 108,95 centavos, segundo a Organização International do Café.
‘‘A última grande geada ocorreu em 1994 e depois se viu seguida de um período de seca. O resultado é que a colheita 1995/96 se viu dividida em duas, passando de cerca de 26 a 28 milhões de sacas previstas para 13 milhões’’, recorda o analista do Commodityexpert. No ano passado, uma série de geadas no Estado do Paraná provocou a perda de 4 milhões de sacas, o que é considerado, na atual situação, uma gota d’água no oceano.

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