Mercado busca equilíbrio e novos parâmetros
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terça-feira, 19 de janeiro de 1999
Agência Estado 
Até as 18 horas de ontem, o fluxo cambial mostrava saldo negativo de US$ 103 milhões, incluindo US$ 94 milhões referentes ao segmento de dólar comercial e US$ 9 milhões referentes ao flutuante. Ou seja, os dólares continuam deixando o País, fazendo com que a cotação do real tenha se desvalorizado mais um pouco hoje. Mas a sangria verificada na semana passada, pelo menos por enquanto, acabou.
É praticamente consenso entre os operadores que o mercado passa agora por uma fase de ajuste à nova política cambial. A cotação do real busca seu ponto de equilíbrio e, ao que tudo indica, esse processo ainda vai durar um tempo até que novos parâmetros de formação de preços façam parte do cenário.
Hoje, por exemplo, a cotação do dólar comercial atingiu a máxima do dia em R$ 1,60. Acabou fechando um pouco abaixo disso, em R$ 1,59, o que representa uma alta de 8,47% no dia e uma desvalorização acumulada do real em relação ao dólar de 31,54% somente este mês de janeiro.
Esses novos parâmetros do mercado passam a ser, principalmente, o ajuste fiscal e a política monetária, como destacou o ministro Pedro Malan em Washington. Mas também farão peso nas expectativas o fortalecimento político do governo FHC (cujo desgaste foi inclusive citado em editorial da The Economist), o controle da inflação e o apoio da comunidade financeira internacional.
As bolsas se sustentaram em alta ontem, mesmo após a estilingada superior a 30% registrada na sexta. O Ibovespa fechou com valorização de 5,43% e volume negociado de R$ 485 milhões, um montante excelente considerando-se que ontem foi feriado nos EUA e a Bolsa de Nova York não operou. A Bolsa do Rio fechou em alta de 3,92%.
Na avaliação de profissionais de bolsas, ainda haverá muita oscilação do dólar até um ponto de equilíbrio, mas isso não chega a preocupar. Mais do que antes, o foco estará no Congresso Nacional. A substituição da âncora cambial pela fiscal exigirá um ritmo agilíssimo de votações. Mas há um risco. Se o Congresso ameaçar mostrar já amanhã que toda esta movimentação não passa de um jogo de cena, a instabilidade voltará ao mercado.


