A reação do mercado brasileiro às medidas anunciadas pela Argentina no fim de semana vai ser um teste importante para a tese de que o risco Brasil se descolou do país vizinho. O aumento da fuga de depósitos nos últimos dias levou o ministro Domingo Cavallo a restringir os saques e a dolarizar os depósitos a prazo fixo o que parece indicar que, se tiver de abandonar a lei de conversibilidade, o governo vai optar pela dolarização. A questão é saber se há dólares suficientes para fazer a conversão na atual paridade. O ex-economista-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI) Michael Mussa, por exemplo, acredita que o volume de reservas em moeda estrangeira caiu abaixo da base monetária, o que impediria a dolarização.
Na 6 feira, quando a sangria de depósitos se acentuou e o risco país da Argentina atingia novos recordes, o mercado brasileiro teve um dia tranquilo. O dólar recuou e a bolsa subiu. A moeda americana por exemplo, fechou em R$ 2,496, em baixa de 1,73%.
O ex-presidente do Banco Central (BC) e diretor do Centro de Estudos da Economia Mundial da FGV, Carlos Langoni, vê com reservas a tese do descolamento do risco Brasil da Argentina, lembrando que o risco país brasileiro se encontra num nível elevado fechou sexta-feira em 979 pontos. Para Langoni, as medidas anunciadas por Cavallo mostram a gravidade da situação da Argentina, e apontam para uma saída desorganizada da crise.
Langoni critica a teimosia de Cavallo em manter a conversibilidade. Segundo ele, as medidas devem aumentar a tensão política no país e, do ponto de vista externo, tendem a ser mal-recebidas, podendo ser vistas como uma ameaça de suspensão unilateral de pagamentos. Para Langoni, a saída mais inteligente para a Argentina seria desvalorizar o peso, tese que conta com o apoio do FMI. No mercado de juros, a questão mais importante é saber se o ajuste para cima das projeções vai continuar. A percepção de que o BC vai dar prioridade total à luta contra a inflação levou o mercado a rever a expectativa de que os juros poderiam cair em breve, o que provocou o aumento das taxas dos contratos futuros.

mockup