Curitiba - O governador Beto Richa (PSDB) e o presidente mundial da Renault, Carlos Ghosn, assinaram ontem, no Palácio das Araucárias, protocolo de intenções oficializando o investimento de R$ 1,5 bilhão que será feito na fábrica da montadora francesa no Estado. Esse aporte financeiro está enquadrado no Programa Paraná Competitivo.
O investimento bilionário será aplicado na unidade de São José dos Pinhais até 2016. O aporte de recursos significa quase dobrar a produção anual, pois 100 mil novos veículos serão fabricados por ano, atingindo a capacidade produtiva de 383 mil carros/ano. Treze novos modelos serão lançados até 2016, porém, Ghosn não adiantou detalhes sobre as novidades.
O investimento prevê a criação de um novo centro de engenharia, um centro de treinamento e mais uma área para a logística. Mil novas vagas diretas serão geradas, além das mil contratações que estão sendo realizadas neste ano. Para cada emprego direto, calcula-se que são criados seis indiretos. ''O Brasil é estratégico para a Renault'', afirmou Ghosn, lembrando que o País deverá se tornar o segundo maior mercado do grupo até 2013, ficando atrás apenas da França.
A montadora francesa chegou ao Brasil há 15 anos. Dois anos depois, em 1998, instalou sua fábrica em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, iniciando com a fabricação de carros de passeio e criando o Complexo Ayrton Senna. Em 1999, começou a produzir motores e, em 2001, utilitários. ''Já produzimos no Paraná um milhão de veículos e dois milhões de motores'', comentou o executivo.
Atualmente, a Renault ocupa lugar de destaque na economia paranaense. A empresa é a principal exportadora do Paraná e a segunda maior empresa em faturamento no Estado, perdendo apenas para a Petrobras.
Ghosn frisou que a crise econômica internacional não afetou o planejamento de investimento do grupo. Ele acredita que as dificuldades mundiais devem afetar de alguma maneira o País, mas não a ponto de prejudicar significativamente o crescimento da economia brasileira. ''Nós estamos olhando para daqui a 20 anos'', explicou.
Renault e governo do Paraná preferiram não falar sobre as vantagens fiscais que o acordo trará para a montadora francesa. Informaram apenas que a empresa terá direito à prorrogação do prazo de recolhimento do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para os novos modelos que serão produzidos, além de incentivo de ICMS na importação. Em troca, a Renault também se compromete a exportar e importar cerca de 90% dos seus veículos pelo Porto de Paranaguá.
A montadora emprega mais de seis mil pessoas e o seu crescimento trouxe impacto para a cadeia fornecedora de autopeças da região. Hoje, a Renault conta com 55 fornecedores.

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