Mercado assimila bem juro de 19%
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quinta-feira, 19 de julho de 2001
Agência Estado De São Paulo 
Os juros futuros recuaram nesta quinta-feira, num ajuste natural à decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de elevar a Selic em 0,75 ponto porcentual, para 19% ao ano. A alta estava nas previsões do mercado, que, no entanto, havia se preparado para a possibilidade de a Selic subir bem mais do que isso. Daí o pequeno ajuste nas projeções de juros.
Já a retirada do viés era uma aposta quase consensual, depois do desastre do viés de baixa estabelecido na reunião anterior. Manter o viés de baixa seria uma decisão com total descrédito por parte do mercado. Mudá-lo para viés de alta, uma sinalização muito negativa, que poderia piorar as expectativas das instituições financeiras. Assim, o viés neutro foi uma solução sensata.
De qualquer forma, vale salientar que o viés psicológico do mercado é de alta. Em outras palavras, as instituições financeiras acreditam que, piorando a situação da Argentina, os juros podem subir novamente. Justamente por causa dessa possibilidade o Banco Central teria preferido evitar uma atitude precipitada, guardando mais munição para enfrentar um cenário de eventual default (calote das dívidas) ou desvalorização na Argentina.
E a situação por lá continua a mesma. Risco país elevado, dificuldades de apoio político para o programa de déficit zero, desemprego crescente, greve geral e ameaça de default da província de Buenos Aires.
Na BM&F, contrato de DI futuro que vence em 1º de outubro o mais negociado na bolsa encerrou o dia projetando juros de 23,71% ao ano, ante 24,18% do fechamento de anteontem. O DI janeiro fechou o dia projetando juros de 25,06%, ante 25,30% do fechamento anterior. O DI agosto, o primeiro a vencer após a reunião do Copom, veio para 20,10%, ante 20,58% de terça-feira. E o DI a termo de um ano fechou o dia com projeção de 25,50%, ante 25,73%.


