O salário médio do brasileiro tende a ter novos aumentos acima da inflação nos próximos anos porque a taxa de desocupação é baixa e há espaço para o crescimento da demanda interna do consumo, causada pelo aumento da renda. No entanto, é preciso ampliar políticas de desenvolvimento da gestão empresarial, da qualificação da mão de obra e de inovações tecnológicas, para atrair empresas de grande porte, que pagam salários mais altos.
A conclusão é de analistas ouvidos pela FOLHA, com base no Cadastro Central de Empresas (Cempre), divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e que cruza informações sobre empreendimentos, vagas de trabalho e renda. Conforme a pesquisa, o salário médio do brasileiro foi de R$ 1.943,16 em 2012, com aumento de 2,2% acima da inflação sobre o valor de 2011 e de 10,1% desde 2008.
No mesmo comparativo, houve alta de 1,3% no número total de empresas e de 2,3% no percentual de ocupados. O País fechou 2012 com 5,2 milhões de organizações formais ativas, 46,2 milhões de assalariados e 7,1 milhões sócios ou proprietários.
O conselheiro do Conselho Regional de Economia (Corecon) do Paraná, Cid Cordeiro, afirma que o Brasil ainda está com o mercado de trabalho aquecido e com consumo crescente, mesmo que em menor intensidade do que em anos anteriores. "Conforme a renda do trabalhador foi elevada, a economia brasileira passou a ocupar sua posição natural no mundo diante do tamanho da população do País."
Ele usa o exemplo da instalação de fábricas automotivas para afirmar que grandes empresas elegeram o Brasil para investimentos. "O que as atrai é a expectativa de aumento do consumo", cita o economista, que vê necessidade de fomentar a proliferação de grandes negócios.
Isso porque são as empresas com mais de 250 funcionários que pagam mais aos trabalhadores. Segundo o Cempre, organizações com até nove empregados têm média de rendimento de 1,6 salários mínimos, ou R$ 995 – em 2012, o mínimo era de R$ 622. O valor aumenta proporcionalmente ao porte do contratante e chega a 4,2 salários, ou R$ 2.612, para empresas com mais de 500 contratados.
Ele lembra que, segundo a pesquisa, 73% das organizações são micro ou pequenas, mas empregam poucos. As com 250 ou mais funcionários respondem por 54% dos postos de trabalho, ainda que representem 0,4% dos negócios.

Educação
A possibilidade de alta dos salários deve fazer com que empregadores exijam maior produtividade dos funcionários, para ter competitividade. O delegado do Corecon em Londrina, Laercio Rodrigues de Oliveira, acredita que os esforços do governo para melhorar a escolaridade dos brasileiros não atendem a necessidade do mercado. "Sem investimento em educação, a produtividade tende a cair e os custos de produção, a aumentar, o que torna os produtos menos competitivos no exterior e gera inflação no País."
A professora de economia Katy Maia, da Universidade Estadual de Londrina, lembra também que o Cempre aponta salários baixos para profissionais de educação. "As pessoas fogem da área e é preciso valorizá-la se quiserem exigir mão de obra qualificada."
Enquanto não se soluciona o problema da qualificação no País, Cordeiro sugere que as empresas invistam também em gestão. "É a forma mais rápida e de menor custo, mas não se pode esquecer da tecnologia e da qualificação."

Imagem ilustrativa da imagem Mercado aquecido deve favorecer alta de salários