A redução da taxa básica de juro em 0,15 pontos porcentuais foi uma boa surpresa para bancos e financeiras, que esperavam uma queda gradual só a partir de janeiro. ‘‘Foi um sinal muito importante, que mostra reversão do cenário interno e a confiança do governo em relação às medidas adotadas’’, afirmou o presidente da Federação Brasileira das Associações de Bancos (Febraban), Roberto Setúbal. A queda é pequena mas representa muito, disse. Equivale a uma redução anualizada de quase 2%. A aprovação da reforma administrativa na Câmara ajudou a criar condições para essa redução dos juros, afirmou Setúbal.
A redução em si não terá efeito prático nas taxas cobradas do consumidor, pois foi pequena, afirma o presidente da Acrefi, Manoel de Oliveira Franco. O que deve ocorrer, explica, é algumas instituições financeiras diminuírem a margem de defesa contra o risco por terem estimado no empréstimo um custo futuro maior. ‘‘Agora, o mercado se sente mais seguro para projetar o custo final do dinheiro’’, afirma. A queda teria de ser de 0,5% para ter um efeito direto nas taxas cobradas do consumidor.
Algumas instituições repassaram ontem mesmo a queda dos juros aos financiamentos de carros. É o caso da Losango, que trabalhava com taxas de 4,5% a 6% ao mês e baixou para 3,90% a 4,60%. Além disso a financeira também aumentou de 24 para 36 meses o prazo de pagamento dos financiamentos. Nos crediários de menor valor e risco maior, como eletrodomésticos,
eletroeletrônicos e roupas o impacto deverá ser mínimo. A redução nesses financiamento será gradativa porque as margens de lucro são maiores para compensar o risco, explica o diretor de vendas da Losango, Salomão Alelaf, que tem 80% dos negócios concentrados nesse segmento. Já no caso de veículos que por oferecer risco menor pois o bem funciona como garantia da operação as margens de lucro são mais estreitas.

mockup