Mercado aposta que juros serão mantidos em 19,75%
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segunda-feira, 13 de junho de 2005
Gustavo Freire<br>Agência Estado 
Brasília - O mercado financeiro manteve a aposta de que o Comitê de Política Monetária (Copom) manterá os juros estáveis em 19,75% na reunião de hoje e amanhã. A perspectiva de estabilidade contida em pesquisa semanal do Banco Central (BC) não foi alterada nem mesmo pelo acirramento da crise política deflagrada pelas denúncias de corrupção feitas pelo presidente do PTB, Roberto Jefferson. Os participantes do levantamento acreditam que haverá espaço para queda dos juros a partir de setembro, quando a taxa iniciaria uma trajetória de redução gradual até atingir 16,50% em maio de 2006.
O otimismo moderado do mercado veio baseado numa melhora do cenário para a inflação neste ano. As previsões do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2005 dos analistas participantes da pesquisa do BC recuaram de 6,32% para 6,21% e passaram a acumular uma redução de 0,18 ponto porcentual em quatro semanas. O porcentual, entretanto, ainda se encontra acima do objetivo de 5,1% perseguido pelo Copom neste ano - que, na visão dos analistas de mercado, não será atingido. Eles ressaltam, no entanto, que o BC vem conseguindo as reduzir as projeções a um patamar compatível com o cumprimento da meta de inflação de 2006 (4,5% mais um intervalo de dois pontos porcentuais para cima ou para baixo).
A redução das previsões de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para este ano de 3,27% para 3,12% foi outro fator que contribuiu para a consolidação da perspectiva de juros estáveis na reunião do Copom. Com a atividade em queda, o mercado avalia que as pressões do aumento de consumo sobre os índices de preços sejam reduzidas. A diminuição das projeções de crescimento do PIB captada pela pesquisa do BC foi a segunda consecutiva a ocorrer após a divulgação do crescimento de 0,3% no primeiro trimestre do ano. Para 2006, as estimativas de expansão do PIB ficaram estáveis em 3,50%.
Outra boa notícia no campo da inflação foi a redução das previsões de reajuste dos preços administrados neste ano de 7,80% para 7,60%. Apesar da queda, o porcentual ainda é superior aos 7,30% usados pelo Copom na reunião de maio. As previsões de aumento dos administrados em 2006 não se alteraram e prosseguiram em 6%. Na reunião de maio, o Copom trabalhava com a hipótese de aumento de apenas 5,1% dos administrados no próximo ano.
Apesar das diferenças, a redução das estimativas foi um sinal animador até mesmo pelo fato de ter ocorrido numa semana em que se falou na possibilidade de racionamento do gás em função da crise política vivida pela Bolívia.


