O mercado financeiro retoma os negócios, após o feriado prolongado da Páscoa, movimentado por duas expectativas. A primeira é sobre o novo piso dos juros, a ser definido com o arredondamento da Taxa Básica do Banco Central (TBC) pelo Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, na quarta-feira. A outra é a movimentação dos investidores no mercado de contratos futuros de Índice Bovespa (IBovespa), com vencimento na quarta-feira, e de opções, com rodada final de exercício no dia 20.
O mercado está convencido de que o Banco Central não tem mais por que insistir na timidez na política de corte dos juros. Dito de outro modo, o BC teria boas razões para promover um corte mais vigoroso na TBC corrente, de 28% ao ano, para 24%, como projeta o mercado. Ou até para um nível mais baixo. Fora a taxa recorde de desemprego e inadimplência, o governo teria um motivo a mais: o robusto volume de reservas internacionais, estimado em torno de US$ 70 bilhões, para aprofundar o corte dos juros.
O atual nível de juros dos CDBs está ajustado à TBC em torno de 24% projetada pelos contratos futuros. Apenas um mergulho do piso abaixo desse nível poderia levar, portanto, a uma redução também nas taxas de juros das aplicações de renda fixa. Mais que o nível de juros, no entanto, a inflação rastejante vai continuar assegurando ampla margem real em aplicações como os fundos de 30 e 60 dias.
Ainda assim, o momento é considerado oportuno para que o investidor adote a diversificação e desloque parte dos recursos para as Bolsas, por meio dos fundos de ações. A expectativa entre analistas é que o mercado de ações embique uma alta, concluída a rodada de vencimentos, ainda que algumas dúvidas alimentem incertezas nos investidores. A começar pelo estado de saúde do ministro Sérgio Motta, de quem dependeria o ritmo de privatização de Telebrás, cujo modelo de venda, ainda a ser formalizado, também é ponto que provoca insegurança.
Externamente, o interesse dos investidores está voltado à Bolsa de Nova York, que tem alcançado recordes seguidos de alta. O raciocínio é que, mantida essa tendência, o mercado doméstico de ações teria como amortecer a instabilidade que persiste nos mercados asiáticos.

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