São Paulo Economistas e analistas, bancos e consultorias. Todos apresentam argumentos para suas expectativas de manutenção ou elevação da Selic na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) que começou ontem e se encerra hoje com a definição do nível dos juros básicos da economia, atualmente em 26,5% ao ano.
Das 24 instituições consultadas pela Agência Estado, a maioria - 16 instituições ou 66,6% do total - espera que o comitê opte por uma ''parada técnica'' na política de elevação de juros e mantenha a taxa inalterada este mês. Outras 8 (33,4%) instituições projetam uma alta de 0,50 a 1 ponto porcentual.
O economista-chefe do Banco Santos, Marco Maciel, acredita que a autoridade monetária possa referendar a expectativa majoritária do mercado, mantendo o atual nível de juros. Mas na sua opinião, o Copom poderia elevar a Selic em 1 ponto porcentual.
Para Maciel, a desaceleração da inflação mostrada pelos indicadores de inflação na semana passada e o primeiro recuo, depois de sete semanas consecutivas de alta, das expectativas de inflação, de 12,52% para 12,38% pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), ainda são poucos para afirmar que a inflação aderiu a uma trajetória descendente significativa. ''Ainda é muito cedo. Pode ser que se trata apenas de um movimento pontual'', pondera.
Do ponto de vista da atividade, Maciel acredita que há espaço para a manutenção da taxa de juros. Ele lembra que as médias dos indicadores de atividade nos últimos três meses, tanto da indústria como do comércio, têm apresentado desaceleração.
Para Andrei Spacov, economista do Unibanco, a taxa de juros deveria ser elevada em mais 0,50 ponto porcentual. Segundo ele, uma justificativa para que o BC eleve a taxa de juros nominal é que as taxas de longo prazo do mercado, as que de fato determinam a atividade econômica e sobre as quais o BC não tem ingerência direta, estão sinalizando queda, o que poderia elevar o nível de atividade no futuro.
O presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), Alencar Burti, alimenta a expectativa de que o Copom manterá inalterado os juros, porém com viés neutro. O que, segundo ele, deverá ser adotado para que o BC possa convocar a qualquer momento uma reunião de emergência, caso ocorram mudanças bruscas no cenário econômico internacional diante do ataque iminente dos Estados Unidos ao Iraque.
''Quando o presidente da República, em todos os seus discursos e pronunciamentos, diz que a obsessão dele é o desemprego e quando vejo que ele está cumprindo suas promessas, tenho que alimentar a expectativa de que caso ele não possa baixar as taxas de juro nesse momento pelo menos tentará mantê-la como estão'', avaliou.

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