Mercado aposta na divisão da Copel para novo leilão
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sexta-feira, 09 de novembro de 2001
Vânia Casado<br>De Curitiba 
O mercado já trabalha com a possibilidade de o governo do Paraná dividir a Companhia Paranaense de Energia (Copel) em três empresas geração, transmissão e distribuição de energia para viabilizar tecnicamente a realização de um terceiro leilão.
Na avaliação de analistas, o governo está correndo contra o tempo para divulgar novo edital de venda, com novos cronogramas no prazo de 15 dias. A Copel já foi estruturada em cinco empresas para atender legislação do setor elétrico em julho. A Copel foi subdividida em cinco subsidiárias chamadas ''unidades de negócios'', que estão atuando nas áreas de transmissão, geração, ditribuição, telecomunicações e participações. Cada uma delas constitui uma Sociedade Anônima.
O que precisa ser apresentada agora é a modelagem de venda de cada uma das empresas que o governo pretende leiloar. Analistas acreditam que essa nova modelagem, que definirá o valor de cada uma, já está pronta e teria sido oferecida como alternativa de venda ao governo do Estado. Mas a opção do governo foi vender a Copel em bloco único porque o governo entendeu que seria mais fácil. As ações da Copel estão em alta. A ação Copel On fechou ontem cotada em 16,10, alta de 4,60% em relação a anteontem.
Para o ex-presidente da Copel João Carlos Cascaes, mesmo fracionando a estatal, o governo terá que reduzir o preço para torná-la atrativa para um terceira tentativa de venda. Cascaes acredita que muitas informações que constavam do data-room assustou os investidores. Entre elas, as ações que correm na Justiça sobre parcerias e contratos com outras empresas que deixariam os novos proprietários da companhia de mãos atadas. Cascaes observa que há uma série de contratos firmados pela Copel com empresas subsidiárias prevendo multas de altos valores em caso de rescisão.
Na Justiça A juíza federal substituta, Ana Carolina Morozowski, da 2 Vara Federal, deu um prazo de 20 dias para o governo do Estado se pronunciar à respeito da perda de prazo fixado pela legislação no processo de venda da Copel. A juíza quer que a Secretaria da Fazenda e a Procuradoria Geral do Estado (PGE) expliquem por que a divulgação do adiamento do leilão, no dia 30 de outubro, foi feita apenas depois das 18 horas, quando a Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC) informou que não havia depósitos das garantias. Este é o objeto da ação popular ajuízada pelo vereador de Curitiba, André Passos (PT).
Na 7 Vara Federal, o juiz Álvaro Junqueira determinou ao advogado Rodrigo Arruda Sanches que inclua o estado do Paraná como réu na ação ajuizada por ele. O juiz quer que Sanches esclareça valores e créditos tributários contabilizados nos ativos da estatal. A ação de Sanches questiona a falta de transparência na contabilidade dos ativos da empresa. O advogados argumentam que o governo deu mais divulgação aos passivos e pouco destaque aos ativos.(Colaborou Maria Duarte, de Curitiba)


