A interpretação das entrelinhas das declarações do presidente do Banco Central (BC), Armírio Fraga, animaram o mercado financeiro brasileiro e propiciaram nova onda de otimismo. Com a aprovação do orçamento da Argentina no Senado, aliada à perspectiva de que o pacote de ajuda financeira do Fundo Monetário Internacional (FMI) saia na semana que vem, o mercado começa a apostar mais fortemente numa queda dos juros no País.
Em Nova York, durante uma palestra, Fraga considerou ‘‘positivo’’ o discurso de Greenspan. ‘‘Essencialmente, se eliminou a possibilidade de superaquecimento, o que traria tensões financeiras e aumento de juro. O mercado reagiu bem e o preço do petróleo caiu, o que é uma ótima notícia para o Brasil também’’, disse Fraga. Indagado ainda sobre se a fala de Greenspan daria o sinal verde para o Copom baixar o juro, Fraga respondeu que a autoridade monetária continua acompanhando a taxa de inflação brasileira. ‘‘Nosso comportamento olha para o futuro da inflação e age de acordo’’, disse.
Segundo o tesoureiro de um banco estrangeiro, boa parte do mercado já aposta que haverá redução do juro básico da economia, a taxa Selic, ou, pelo menos, adoção de viés (indicador de tendência) de baixa no próximo encontro do Comitê de Política Monetária (Copom), no dia 20. Sinais da melhora de humor são a alta da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), de 3,69%, e a queda generalizada das taxas de juros.
Os títulos do Tesouro Nacional vendidos na terça-feira a 18,25% eram negociados ontem no mercado secundário a 17,78% papéis com vencimento em 9 de janeiro de 2002. A melhora do mercado interno toma mais relevância porque houve realização de lucros nas bolsas norte-americanas.
Para Mário Manso, da corretora Bittencourt, os bancos estão devolvendo os ganhos obtidos com a turbulência externa nos últimos dias. No mercado de juros, quando mais a taxa cai, mais o preço dos contratos sobe. Isso indica que o otimismo pode estar sendo conduzido por bancos que compraram ativos na baixa quando as taxas dispararam e querem embolsar os lucros agora.
O diretor da corretora Ágora, Rogério Oliveira, avalia que a melhora externa pode abrir espaço para a queda dos depósitos compulsórios e o novo cenário, aliado aos baixos preços das ações na Bovespa, podem melhorar a performance da bolsa paulista no ano.

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