Mercado aposta em nova queda dos juros
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sexta-feira, 15 de março de 2002
Agência Estado 
São Paulo Boa parte do mercado acredita que o Comitê de Política Monetária (Copom) deverá reforçar a lista de boas notícias para a economia brasileira, promovendo a segunda redução da taxa Selic neste ano, durante a reunião de dois dias que termina na quarta-feira. A expectativa dos analistas é de que haja um recuo entre 0,25 e 0,50 ponto porcentual nos juros básicos, hoje fixado em 18,75% ao ano.
Uma das justificativas para o corte é o bom momento do País no cenário internacional, já que a perspectiva do Brasil foi alterada de negativa para positiva na semana passada pela agência de classificação de risco Moodys. O resto do mundo está nos tratando melhor, observa o economista sênior do BankBoston, Marcelo Cypriano.
Ele aponta, porém, outros fatores que devem contribuir para a decisão do Banco Central (BC) de reduzir os juros. Desde a última reunião, afirma, saiu o resultado do Produto Interno Bruto (PIB), que fechou o ano de 2001 com crescimento de apenas 1,5% muito aquém do número esperado. Além disso, a contínua queda das vendas no varejo, medida tanto pelo IBGE quanto pela Federação do Comércio de São Paulo, revela que a economia precisa de estímulo, como a redução dos juros, para voltar a crescer com consistência.
A melhora do desempenho do ex-ministro da Saúde José Serra nas pesquisas eleitorais também deve representar, de acordo com o economista-chefe do Banco Inter American Express, Marcelo Allain, mais uma variável positiva para a queda da taxa de juros, já que isso reduz a taxa de risco do País. Em relação à crise política, os analistas afirmam que o mercado já vem se acostumando a embutir o risco no preço.
Na avaliação do economista-chefe do Banco Sul América de Investimentos, Luiz Carlos Costa Rego, que engrossa o coro dos analistas que apostam na redução da Selic, o único ponto contrário seriam os dois reajustes no preço da gasolina nas refinarias de 2,28%, em 2 de março, e de 9,36%, a partir de hoje. Mas o custo do petróleo no mercado internacional tem permanecido estável entre US$ 23 e US$ 24 o barril, ponderou Costa Rego.


