Mercado aposta em nova queda do juro
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quarta-feira, 31 de março de 1999
Agência Folha 
O mercado financeiro terminou o dia, ontem, apostando em redução nas taxas básicas de juros já na segunda-feira, de 42% ao ano hoje para 39%.
Os negócios com Certificados de Depósitos Interbancários, papéis dos bancos pagos com cheque administrativo, que são compensados um dia depois de realizada a operação, foram negociados em torno dos 39% ao ano ontem. Há espaço para uma redução de juros. A inflação está abaixo do esperado, a recessão está forte e os dólares não param de entrar no País , diz Joaquim Kokudai, diretor de renda fixa do Lloyds Bank. Segundo ele, a redução poderia acontecer antes mesmo da reunião do Comitê de Política Monetária, no dia 14.
Os rumores de que o corte nos juros seria anunciado ontem mesmo foram tão fortes que o Banco Central se dirigiu ao mercado negando no final do dia. Mesmo assim, os mercados futuros e de Certificado de Depósito Interbancário passaram a projetar taxas de juros de 39% na segunda-feira e de 35% ao ano para o dia 14, na data da reunião do Comitê de Política Monetária.
Entre os bancos estrangeiros, no entanto, há pelo menos três, entre os ouvidos pela reportagem, que acreditam que o BC só mexerá nos juros no dia 14. Nós trabalhamos com a hipótese de redução nos juros no Copom. Não antes disso, disse Eduardo Tieppo, diretor do HSBC Bamerindus.
Outro especialista de banco estrangeiro que preferiu não se identificar aposta que o BC quer manter forte o fluxo positivo de dólares ao País. Com juros de 42% ao ano, o Banco Central está atraindo muito capital externo. Os bancos captam lá fora a juros menores e investem no mercado interno com ganhos de até 12%. Uma redução de juros poderia reduzir a rentabilidade dos investimentos em reais. Mesmo com juros de 39%, os ganhos dos estrangeiros ainda seriam grandes, diz Kokudai. Poderiam ficar em até 9% ao ano.
Ontem, segundo estimativas do mercado, as entradas de dólares continuaram fortes. Teriam sido de mais de US$ 500 milhões. O dólar voltou a cair, de R$ 1,745 no fechamento de anteontem para R$ 1,72 ontem. A desvalorização foi de 1,43%. Na média ponderada dos negócios de ontem, divulgada pelo BC, o dólar foi a R$ 1,7220, um tombo de 0,66% contra anteontem.
As vendas fortes no mercado de câmbio ficaram com o Bradesco, Safra, Citibank e Republic. Na ponta da compra, atuaram o Banco Central, o Banco do Brasil, o Garantia e o Morgan Stanley.


