Mercado aposta em nova alta dos juros
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 23 de novembro de 2004
Gustavo Freire<br>Agência Estado 
Brasília Apesar de o Comitê de Política Monetária (Copom) ter promovido na semana passada o terceiro aumento seguido da taxa básica de juros, o mercado financeiro ainda acredita que não foi suficiente e que o Banco Central vai voltar a subir a Selic em 0,25 ponto porcentual em dezembro. Com a alta, os juros terminariam o segundo ano de mandato do presidente Lula em 17,5% ao ano. De acordo com os números da pesquisa semanal feita pelo BC junto a instituições financeiras, divulgada ontem, só em 2005 os juros vão cair e recuariam dois pontos porcentuais, alcançando 15,5% em dezembro.
A alta dos juros na semana passada não foi suficiente para reduzir a expectativa do mercado em relação a inflação. Com esta evolução prevista para os juros, a inflação medida pelo IPCA fecharia 2004 em 7,18%, porcentual inferior ao teto de 8% da meta fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) para o corrente ano e ainda abaixo da previsão de 7,2% feita no último relatório de inflação do BC, divulgado em setembro. Esse porcentual é o mesmo da semana passada.
Para 2005, a projeção do mercado permanece em 5,9%, porcentual maior que a meta de 5,1% a ser perseguida no próximo ano pelo Copom. A estimativa, entretanto, é inferior aos 6% propostos por alguns economistas como meta ideal que deveria ser perseguida pelo Copom no próximo ano. Foi justamente para tentar manter a inflação próxima da nova meta que o Copom tem justificado os aumentos de juros de setembro e outubro. A ata da reunião de novembro, com a justificativa do aumento de 0,5 ponto porcentual, será divulgada na quinta-feira. A taxa de câmbio, por sua vez, fecharia o ano de 2004 em R$ 2,90, na visão dos bancos ouvido no levantamento do BC.
O valor nominal representaria, nos cálculos de alguns analistas de mercado, uma taxa de câmbio real semelhante ao verificado antes da desvalorização do real feita em janeiro de 1999. Apesar disso, os bancos participantes da pesquisa apostam que a balança comercial terminará o ano com um superávit recorde de US$ 33 bilhões, superior à meta de US$ 32 bilhões anunciada pelo governo. O superávit em conta corrente do balanço de pagamentos também alcançaria valor recorde de US$ 10,50 bilhões.
Para 2005, o câmbio sofreria um depreciação e fecharia o ano em R$ 3,05. Com esta taxa nominal, o superávit da balança comercial recuaria dos US$ 33 bilhões previstos para 2004 e iria para US$ 27,30 bilhões. O resultado da conta corrente (resultado das transações feitas pelo Brasil com o exterior), por sua vez, passaria a ser de um superávit de US$ 3,80 bilhões. Estes resultados seriam alcançados, segundo os dados da pesquisa, em meio a um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 3,5%, contra uma previsão de 4,61% de expansão estimada para este ano de 2004.


