Mercado aposta em juros e inflação maiores para 2004
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segunda-feira, 07 de junho de 2004
Agência Folha 
Brasília - Pela quarta semana seguida, analistas de mercado consultados pelo Banco Central elevaram suas projeções para a inflação deste ano. A estimativa para a alta do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) passou de 6,50% para 6,59%.
Há quatro semanas, a projeção estava em 6,12%. A expectativa para a inflação deste ano continua acima da meta de 5,5% fixada pelo governo, embora dentro da margem de tolerância de 2,5 pontos percentuais para cima ou para baixo.
A recente alta do dólar é um dos fatores que colabora para o maior pessimismo em relação ao comportamento dos preços. Há quatro semanas, a pesquisa do BC estimava que a moeda norte-americana fosse encerrar o mês de junho em R$ 2,94. Agora, esse número foi revisado para R$ 3,10.
Consequentemente, o reajuste esperado para o conjunto de preços administrados - que incluem itens muito sensíveis à variação do câmbio, como o preços dos combustíveis e tarifas de energia elétrica - chegou a 7,75%, contra 7,15% do levantamento feita há um mês.
Ao mesmo tempo em que projetam inflação mais alta, os analistas consultados pelo BC também dizem esperar que os juros caiam numa velocidade mais lenta daqui para a frente. A taxa Selic, que hoje está em 16% ao ano, deve cair para 14,75% até dezembro - um pouco acima dos 14,50% estimados até a pesquisa da semana passada.
O levantamento feito pelo BC também mostra uma queda nas projeções para a entrada de investimento direto estrangeiro. O ingresso esperado para este ano passou de US$ 12 bilhões para US$ 11 bilhões. As estimativas de crescimento da economia para este ano e para 2005 foram mantidas em 3,5%.
Otimismo - O ministro da fazenda, Antonio Palocci, disse ontem que os juros já cumpriram o seu papel na retomada do crescimento econômico. Segundo ele, o País conseguiu retomar o crescimento devido ao compromisso fiscal, que possibilitou a redução gradual dos juros, aliado ao controle da inflação. ''Agora é preciso que o governo se concentre em uma agenda mais ampla, complexa, detalhada, muito mais institucional'', disse.
Segundo Palocci, o país precisa passar a dar mais ênfase em uma agenda microeconômica, que envolve questões institucionais, como reformas e legislações. Somente com essa agenda, disse o ministro, o país poderá ter uma década de crescimento sustentado e gradual, e não apenas um ano de crescimento econômico.


