Mercado aposta em alta das taxas de juros
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sexta-feira, 15 de novembro de 2002
Agência Estado 
São Paulo A despeito da visível melhora em algumas variáveis nestas últimas semanas principalmente no risco-país, câmbio e preço do petróleo , as apostas majoritárias do mercado são de que o Banco Central decidirá por uma nova elevação na taxa dos juros básicos na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), nos dias 19 e 20. O principal alvo da decisão, avaliam analistas, estará nas expectativas do mercado sobre o comportamento futuro dos preços, esta sim uma variável que piorou bastante nas últimas semanas.
Explica-se: uma elevação neste momento não teria tanta eficácia através dos canais de transmissão da política monetária sobre os preços, dada a natureza da ''bolha'' inflacionária atual, sem influência de demanda. Mas essa forte deterioração das expectativas detectada no boletim Focus, com as projeções do IPCA deste ano se aproximando de alarmantes 9%, tem de ser limitada em algum momento.
''Discordo das avaliações que falam da manutenção dos juros por causa da natureza desta pressão inflacionária. O Banco Central precisa ter uma política monetária atuante porque há expectativas negativas que, em algum momento, acabarão se refletindo em repasses. O BC tem de mostrar que não haverá tolerância com a inflação'', comenta o economista Carlos Kawall, do Citibank.
O economista Eduardo Figueiredo de Freitas, do Unibanco, lembra que essa deterioração nas expectativas de inflação reflete não apenas as incertezas sobre o que será feito no próximo governo, mas sobretudo os efeitos de uma desvalorização cambial de mais de 50% neste ano sobre os preços, o que naturalmente traria essa pressão inflacionária que os índices correntes vêm comprovando. ''É simples: o câmbio, onde está, cria uma inflação elevada, não é somente porque houve perda de confiança.''
Para o estrategista-chefe do HSBC, Dawber Gontijo, mesmo que a decisão sobre a alta dos juros seja adiada o que ele não acredita que vá ocorrer , a ata do Copom teria de trazer uma menção clara de que o BC está atento ao tema das expectativas. ''Caso a elevação não ocorra agora, a ata deveria sair com um 'statement' afirmando que a autoridade monetária vê com preocupação esse tema e que estará pronto para agir'', sugere o estrategista.
Seis bancos consultados pela Agência Estado JP Morgan, Citibank, Unibanco, BBV Banco, Bank of America e HSBC apostam em elevação da Selic na próxima reunião do Copom, de 0,5 a 1 ponto porcentual, com maior concentração no segundo número.


