São Paulo O Comitê de Política Monetária (Copom) deve aumentar hoje os juros básicos para tentar reverter a piora das expectativas de inflação, segundo a aposta da maior parte dos analistas. De 22 instituições consultadas pela Agência Estado, 20 acreditam que a taxa Selic vai subir e 14 esperam uma alta de um ponto porcentual.
O principal problema é que as expectativas do mercado para o IPCA de 2003 coletadas pelo BC estão se deteriorando fortemente, tendo atingido 9,81% na pesquisa divulgada anteontem, bem acima do teto da meta do ano que vem, de 6,5%. O diretor de Mercados Emergentes do Goldman Sachs em Nova York, Paulo Leme, entende que o Copom deve elevar os juros em um ponto porcentual, de 21% para 22% ao ano. ''No regime de metas inflacionárias, a âncora são as expectativas de inflação. E elas estão mais de três pontos porcentuais acima da meta do ano que vem. É fundamental usar o instrumento monetário para poder ancorar as expectativas e reduzi-las.''
O Crédit Suisse First Boston (CSFB) também aposta numa elevação da Selic de 21% para 22%. Segundo o time de economistas do banco, ''a elevação se justificaria como forma de preservar a credibilidade do BC, atenuando a deterioração de expectativas de inflação para o ano que vem''. Para o CSFB, a piora de expectativas pode indicar, entre outros fatores: uma perspectiva de que possa ocorrer uma mudança das metas nos próximos anos; uma percepção de menor comprometimento do governo eleito com a inflação baixa; e o temor de que a inflação corrente que tem ficado acima do esperado há alguns meses se propague para os índices de preços em 2003. O IPCA pulou de 0,72% em setembro para 1,31% em outubro.
Desde a última reunião do Copom, o dólar caiu de R$ 3,90 para R$ 3,555, o que, para alguns economistas, como Alexandre Schwartsman, da BBA Corretora, podem levar o BC a não elevar os juros. Uma queda do dólar, além de ter um impacto positivo sobre os índices de preços, pode derrubar as expectativas de inflação, afirma. Ontem, o presidente do BC, Armínio Fraga, citou o recuo do câmbio como um dos sinais que ''estão na direção certa''. Ele disse ainda que vê indícios de desaceleração das expectativas de inflação.
Leme, que presenciou o discurso de Fraga, entende que as palavras do presidente do BC não sugeriram que os juros serão mantidos. ''Minha avaliação foi de que ele passou uma mensagem de preocupação com as expectativas de inflação e, ainda que não tenha falado explicitamente, justificava um possível aumento dos juros.''

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