São Paulo - Algumas semanas atrás, eram muitos os analistas que apostavam que o pior da crise no sistema bancário americano havia ficado para trás.
Ontem, no entanto, predominava no mercado financeiro dos Estados Unidos a opinião de que ainda há outras instituições por quebrar - a única divergência dizia respeito ao tamanho e à importância delas.
Nouriel Roubini, professor da Universidade de Nova York e primeiro a prever essas turbulências, acha que não restará nenhuma corretora ou administradora de recursos independentes. ''Seu modelo de negócio, que pede elevada alavancagem (endividamento para investimento), é insustentável se essas empresas não estiverem associadas a grandes bancos'', comentou o economista, que é conhecido pelo pessimismo, em entrevista na televisão. Na sua avaliação, o Goldman Sachs e o Morgan Stanley devem começar imediatamente a buscar parceiros se quiserem evitar o destino do Lehman Brothers.
Opinião oposta tem Benton Gup, professor da Universidade do Alabama e autor do livro ''Too Big To Fail: Policies and Practices in Government Bailouts'' (em tradução livre, ''Grandes Demais para Falir: Políticas e Práticas em Salvamentos do Governo''). ''Creio que ainda vamos ver bancos indo à bancarrota. Mas pequenos, não gigantes'', afirma.
Para os especialistas, o fato de o governo ter decidido não ajudar a vender o Lehman Brothers se explica principalmente pelo pequeno perigo sistêmico que a sua falência significaria. ''O critério é o impacto. As autoridades perceberam que o Lehman Brothers não significava uma ameaça'', explica Gup. ''Da mesma maneira que, na história, houve outros resgates, também existiram situações em que o governo federal preferiu não interferir, como os casos Enron e WorldCom. Elas quebraram por corrupção, e ninguém ficou sem telefone ou energia elétrica.
Ao deixar bem claro quais são as condições para um salvamento, a administração George W. Bush espera, ainda, minimizar o ''risco moral'' - quando ajudou o Bear Sterns, foi criticado por dar a entender que estenderia a mão a todos os bancos que se encontrassem em dificuldades. Agora, a mensagem é outra.
O forte mau humor observado hoje nas Bolsas de Valores é, em parte, resposta a esse pragmatismo e essa ansiedade em saber quais são as próximas instituições que vão gritar por socorro. De acordo com os registros da FDIC (Federal Deposit Insurance Corporation, Corporação Federal de Seguro de Depósito), órgão do governo responsável por garantir as operações do setor, 28 bancos pediram falência nos Estados Unidos neste ano, sem contar o Lehman Brothers.
''Mais uma centena pode ir à lona nos próximos meses. Assim, os mercados ficarão voláteis por algum tempo. Vai demorar um pouco para a situação se normalizar'', frisa Gup.
Pior e melhor
Os prejuízos com a atual crise já fazem dela a pior da história. As perdas poderiam ser ainda maiores, entretanto, não fossem as atuações do Federal Reserve (o banco central norte-americano) e do Tesouro.

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