Mercado ainda tem distorções
Mercado ainda tem distorções
Arquivo FolhaBolsa: só para iniciadosO mercado de renda fixa passa por uma remodelação a partir de hoje, com a largada dos fundos de investimento sob novas regras, mais flexíveis. As mudanças são positivas e vão facilitar a vida de todos, dos bancos ao investidor, avalia o vice-presidente do Banco ABC Brasil, Alfredo Neves Penteado Morais.
Mais que isso, a expectativa é que elas coloquem os fundos como a melhor opção de investimento na renda fixa, em rentabilidade e liquidez, condição que o investidor tem para fazer retiradas em qualquer momento. Uma combinação de vantagens que tende a levar ao deslocamento de maior volume de recursos aos fundos.
Embora positiva, a mobilidade dos fundos ainda é insuficiente, segundo ele, que identifica pontos que considera estranhos numa desregulamentação para valer. Um deles é a cobrança de IOF nas aplicações de curto prazo e outra distorção, o desconto do Imposto de Renda antes do resgate, aponta Morais. Ele lembra, no entanto, que é a CPMF e não o IOF que pode tornar negativo o rendimento do investidor em aplicações inferiores a 16 dias corridos, em média.
Ou, nesse caso, é o IOF em aplicações mais curtas que pode tornar o rendimento insuficiente para bancar a CPMF. Por aí, não é, portanto, a redução da taxa básica de juros, de 21% ao ano para 19,50%, decidida pelo Copom semana passada, que vai exigir uma permanência por período maior para que o investidor não tenha rendimento negativo em aplicação de curto prazo.
A escolha dos fundos deve ser decidida de acordo com o perfil de cada investidor. Segundo o vice-presidente do Banco ABC Brasil, contudo, o investidor deve olhar também mais o administrador do que o nome do fundo.
O conceito de agressivo, moderado e conservador é amplo e pode variar de acordo com o banco. Um fundo que seja moderado num banco pode, embora com o mesmo rótulo, ser enquadrado como agressivo em outro mais ousado.
O investidor que não está familiarizado com ações deve permanecer distante da bolsa. O mercado é apenas para profissionais ou especuladores, porque o cenário internacional está bastante conturbado. Segundo Morais, os dois focos de instabilidade são os bruscos movimentos da Bolsa de Nova York e a crise argentina, que deve arrastar-se até as eleições de outubro. Ele não acredita, porém, em mudança da política cambial argentina, nem antes nem depois das eleições, que leve à quebra da conversibilidade.





