São Paulo - O mercado financeiro dá início à última semana de abril em ambiente de aparente calmaria, mas movido por novas expectativas. Depois de reagir positivamente ao superávit primário (receitas menos despesas, sem os gastos financeiros com juros) recorde de R$ 10,282 bilhões em março, o que garantiu uma economia equivalente a 5,41% do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre, as contas públicas voltam ao foco dos mercados.
O interesse dos investidores estará voltado à definição do valor do salário mínimo que estará valendo a partir de 1 º de maio. O arredondamento do novo piso salarial, previsto para a semana que passou, teve a decisão adiada por causa da falta de acordo nas negociações entre governo e centrais sindicais. As conversações têm sido acompanhadas com grande expectativa pelo mercado, preocupado com os efeitos do novo mínimo sobre as contas do governo e da Previdência.
A impressão é de que, pelos comentários correntes no mercado, os investidores reagiriam com normalidade se o valor fixado for de até R$ 260, combinado com um ligeiro reajuste no valor do salário-família, ou elevação do piso até R$ 270, sem alteração nesse benefício. A idéia é de que um mínimo de R$ 270 com aumento também do salário-família poderia provocar mal-estar nos mercados.
Os indicadores de inflação com divulgação prevista na semana também devem influenciar os negócios porque tendem a alimentar novas expectativas sobre os juros. Na terça-feira, logo pela manhã, serão conhecidas a inflação na terceira quadrissemana do mês pelo IPC-Fipe e a inflação de abril pelo IPCA-15. A economista do Banco Modal, Carla Bernardes, diz que esse indicador é importante porque é uma cópia do IPCA, referência de metas de inflação, com diferença apenas na periodicidade de coleta de dados. ''É preciso ficar atento ao movimento do núcleo, que foi alvo de pressão no IPCA de março.'' Na quinta-feira, será divulgado o IGP-M de abril.
No cenário político, Carla chama a atenção para a votação, marcada para quarta-feira, do projeto de lei que prevê a extinção da assinatura básica de telefonia pela Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara. Ela diz que, se o projeto for aprovado, poderá haver reação negativa na bolsa, com queda de ações das empresas do setor.
Dados dos EUA - Os investidores estarão ligados também aos indicadores da economia americana. Dentre os principais, com divulgação esta semana, estão o índice de confiança do consumidor, terça-feira; dados sobre pedidos iniciais de seguro-desemprego de abril e dados revisados do PIB americano no trimestre, ambos na quinta-feira; e indicador de confiança do consumidor de março, na sexta.

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