A instabilidade política do governo federal é a responsável pelo clima de incerteza que paira sobre o País. Fatos como o caso Waldomiro Diniz, o novo salário mínimo e a derrota para os bingos no Senado amedrontaram os investidores que transferiram o capital das ações vide queda nas Bolsas de Valores para a compra de dólares. Como consequência, o risco Brasil voltou a subir assim como o dólar que tornou-se mais escasso porque os investidores estrangeiros também retiraram suas aplicações daqui. ''Para amenizar o problema o Banco Central pode injetar dólares da reserva cambial na economia. Isso, no entanto, tem limite porque o FMI exige que 4,25% da arrecadação seja preservada (superávit primário) para o pagamento da dívida externa'', disse Francisco Simões, presidente do Sindicato dos Economistas de Londrina e Região.
A perda de credibilidade que é comprovada a cada pesquisa de opinião pública inviabiliza o argumento de que é preciso manter a taxa de juro alta para segurar os dólares no País. Na opinião de Renato Pianowski, economista e professor da UEL, é imprescindível a queda dos juros e impostos, a flexibilização das leis trabalhistas e medidas que gerem empregos. ''Caso isso não aconteça rápido, é provável que daqui a algum tempo as pessoas saiam às ruas exigindo Fora Lula''.
Paralelamente a essa turbulência interna, o Brasil ainda pode sofrer com a alta do petróleo no mercado externo. ''Embora ele seja praticamente auto-suficiente, existe a pressão dos acionistas que não se conformam em ganhar menos que os outros Países'', completou Pianowski. Nesse momento, um novo reajuste dos combustíveis seria 'um soco no estômago' do consumidor que está totalmente desiludido com o governo petista. ''Onde é que está o famoso Fome Zero e os milhões de empregos que deveriam ter sido gerados nesse um ano e meio de mandato?'', lembra Simões.
E será que essas oscilações econômicas afetam o trabalhador brasileiro? De acordo com nossos entrevistados, a resposta é sim. A taxa de juro em 16% não incentiva o empresário nacional a aumentar a produção, até porque o consumo não cresce a ponto de justificar esse incremento. A falta de perspectivas, inibe a geração de empregos que, atualmente, é uma das maiores necessidades da população. Sem dinheiro, o desempregado não compra e não aquece a economia. É uma verdadeira 'bola de neve' que deixa cada vez mais longe o propalado 'espetáculo do crescimento'.
A sugestão de Pianowski para escapar dessa ameaça é pesquisar muito e cortar todos os supérfulos. Para ele, a fase exige a valorização de cada centavo que, caso sobre algum, pode ser aplicado na caderneta de poupança ou em fundos de renda fixa. ''Nosso poder aquisitivo caiu muito nos últimos anos e isso justifica o sacrifício'', finalizou.

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