Apesar de ter reagido bem ao depoimento do presidente do Federal Reserve, Alan Greenspan, no Senado norte-americano, o mercado de juros manteve um pé na cautela e não mudou suas apostas básicas para a Selic, a ser decidida hoje pelo Comitê de Política Monetária (Copom): as opiniões se dividem principalmente entre manutenção da taxa em 15,25% (talvez com viés de baixa) e corte de 0,25 ponto percentual, com uns poucos otimistas torcendo pela queda em 0,50 ponto.
O secretário-adjunto do Tesouro Nacional, Rubens Sardenberg, disse que a concentração de eventos nesta semana fez com que os investidores preferissem esperar os resultados e se concentrassem na compra de papel mais curto no leilão de Letras do Tesouro Nacional (LTNs). Os eventos concentrados, a que Sardenberg se referiu, são a reunião do Copom (ontem e hoje), as eleições para as presidências da Câmara e do Senado, e o depoimento do presidente do Federal Reserve, Alan Greenspan, no Senado americano ontem. ‘‘O mercado preferiu esperar para ver. Minha impressão é que houve cautela’’, disse.
A Bovespa comemorou o inesperado sucesso do leilão da Banda D, sobretudo na região de São Paulo, e o depoimento do presidente do Fed, Alan Greenspan, no Senado norte-americano ontem. O índice da carteira teórica paulista fechou em alta de 1,05% e o volume financeiro somou R$ 616 milhões. A valorização só não foi mais expressiva porque as bolsas realizaram lucros em Nova York e porque hoje acontece o vencimento do contrato de Ibovespa futuro na BM&F.
Dos obstáculos desta semana de agenda carregada, ainda restam três. O político é o que mais preocupa, uma vez que as campanhas para as presidências do Senado e da Câmara foram carregadas de difamações, de denúncias e pouco elucidativas quanto ao papel das Casas nos dois últimos anos do governo Fernando Henrique Cardoso. O obstáculo técnico refere-se ao vencimento do Ibovespa futuro na BM&F. E o econômico é a reunião do Copom e a trajetória dos juros no Brasil.
Câmbio O dólar comercial reverteu no fim do dia a queda registrada após o leilão da banda D, para fechar com alta de 0,10%, cotado na venda a R$ 1,987. Analistas afirmaram que o fluxo negativo à tarde e compras por importadores e tesourarias de bancos sustentaram o avanço do comercial. Os bancos compraram dólar, segundo os especialistas, por causa do resultado considerado ruim do leilão de papéis prefixados do Tesouro, das incertezas sobre a eleição na Câmara e no Senado e em relação ao rumo da taxa Selic, que também será definido hoje pelo Copom.

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