Mercado abre em estado de alerta com as bolsas
Agência Folha
De São Paulo
O mundo todo olha com atenção para os EUA. Nas duas últimas semanas, as grandes oscilações das Bolsas norte-americanas pareciam alertar para o possível esgotamento de um ciclo de crescimento ininterrupto que já dura quase uma década.
A preocupação com o destino da economia dos Estados Unidos não é descabida. As importações norte-americanas chegaram, em 1999, a US$ 1,2 trilhão. Isso representa uma boa fatia da demanda mundial. Se a locomotiva parar, arrasta boa parte da economia mundial que, direta ou indiretamente, depende do dinamismo da economia dos EUA.
Para Jane DArista, economista da Boston University, uma correção geral no preço das ações pode frustar as previsões de crescimento mundial. Ela lembra que, tanto o Japão quanto os países da União Européia, precisam manter suas exportações para os EUA para garantir o crescimento. Luiz Gonzaga de Mello Belluzzo, da Unicamp, faz a mesma análise.
Duas grandes dúvidas pairam sobre as cabeças dos analistas que tentam desvendar os rumos da economia norte-americana. A primeira, se existe uma bolha no mercado de ações. A segunda, se a bolha realmente existir, o que acontecerá com a economia americana quando os preços das ações forem corrigidos. Os entusiastas da nova economia insistem na inexistência de uma bolha. Para eles, o potencial de ganhos das novas tecnologias justificam o valor das ações.
Robert Shiller, professor da Yale University, dá um sinal de alerta em seu livro Exuberância Irracional: A Internet tem potencial para aumentar a produtividade, ela é uma importante inovação, mas o público tem mais fé do que deveria no valor que esse potencial criará para as corporações. Lançado nos EUA há duas semanas, o livro deve estar disponível em português em nove meses.
Belluzzo ainda lembra que a euforia atual nos mercado norte-americano não é novidade. Em 1929 também havia uma nova economia: a telefonia, a aviação, a radiodifusão e a difusão da energia elétrica foram inovações que aumentaram a produtividade. O mercado também ficou eufórico e o resultado todos sabemos. DArista observa que o Fed também considerará a volatilidade das ações quando decidir a taxa de juros. Ela lembra que, em meio a um crash, uma alta da taxa pode piorar as coisas: É nesse momento que os investidores precisarão de empréstimos para cobrir suas perdas, se eles não os tem, a quebradeira é muito maior.
Gustav Ranis, de Yale, não acredita num estouro da bolha. Segundo ele, haverá uma aterrissagem suave sem grandes traumas. Ele aposta que nova e velha economia são termos fadados a desaparecer. As ações da nova e da velha economia irão convergir e o público irá manter a atenção nos lucros das empresas, diz.





