A seis mil metros abaixo do nível do mar, existe uma riqueza que pode mudar os rumos de pelos menos 18 setores entre empresas e indústrias paranaenses nos próximos cinco anos. Período em que a Petrobras projeta investir por volta de US$ 224,7 bilhões na cadeia produtiva do pré-sal, sendo que US$ 4,6 bilhões já estão direcionados para o Paraná. Para incrementar ainda mais este valor, os empreendedores do Estado terão que investir em capacitação de pessoal e aumento de produtividade, além de se estruturar para preencher todos os requisitos em busca de se tornar um fornecedor da estatal, o que não é tarefa simples.
Estes e outros assuntos foram discutidos ontem em Londrina no seminário ''Mobilização da Cadeia de Fornecedores para o Pré-sal'', que reuniu dezenas de empresários que buscam aproveitar o potencial das reservas de petróleo e gás contidas na camada do pré-sal. Participaram também do evento diretores e especialistas da Petrobras, do Sebrae, Senai, Fiep entre outras instituições, além do secretário da Indústria, do Comércio e das Relações com o Mercosul, Ricardo Barros, o secretário da Fazenda, Luiz Carlos Hauly e o deputado federal André Vargas.
Os empresários se impressionaram com o volume de produtos e serviços que a Petrobras precisará nos próximos 20 anos e como o mercado é extremamente abrangente. Paulo Roberto Costa, diretor de abastecimento da estatal, comentou que as oportunidades vão surgir desde o fornecimento de colchões, passando por parafusos até reatores e turbinas. ''Nosso investimento é o maior do que o de qualquer empresa do mundo. É muito importante que os empreendedores do Paraná participem deste investimento global de US$ 224,7 bilhões.''
Costa disse ainda que a Petrobras é extremamente exigente na seleção das empresas que atuaram como fornecedoras e na obtenção do Certificado de Registro e Classificação Cadastral (CRCC). Em todo o Paraná, por exemplo, existem hoje 149 fornecedores aprovados, 106 estão qualificados, 307 em processo de avaliação e 223 que já foram reprovados, boa parte deles devido a pendências tributárias. ''As empresas que querem realmente participar têm condições de se associar com outras empresas e solicitar consultorias na área de gestão. Nós precisamos de qualidade e competitividade da indústria brasileira, inclusive, com preços e prazos atraentes. O nosso trabalho é de alto risco e, por isso, toda essa exigência'', complementa.
Pelas rodadas de licitação na Agência Nacional do Petróleo (ANP), existe um percentual mínimo de participação das empresas brasileiras na Petrobras, que varia entre 55% a 65% na área de produção, 80% na área de abastecimento (refinarias) e 90% na área de gás e energia. ''E as tecnologias que não possuímos aqui no País estamos tentanto trazer as empresas para cá para que se associem com as empresas brasileiras. A Rolls-Royce, por exemplo, produz nossas turbinas à gás e devem vir se instalar no País nos próximos anos'', completa Costa.

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