‘Mercadinhos’ desafiam as grandes redes
Pesquisa comparativa feita pela Folha mostra que nem sempre comprar nos maiores supermercados é sinônimo de comprar barato
Carmem Murara
Marcelo AlmeidaCorpo-a-corpoNereu Ramos, dono do supermercado Dois Ramos, mostra o carrinho com as mercadorias: ‘‘Aqui, chamo o cliente pelo nome’’Comprar bem e barato tem os seus segredos, garantem as donas de casa, que pelo menos uma vez ao mês vão aos supermercados para reabastecer os armários com produtos alimentícios e de higiene. Muitas percorrem as grandes redes com a absoluta certeza de que estão fazendo economia ao optar pelo supermercado que consegue ter grandes estoques e fazer diversas promoções. Mas nem sempre, supermercado gigante é sinônimo de preço baixo. O velho e tradicional mercadinho do bairro pode ter preços iguais ou até melhores.
A Folha fez uma pesquisa em pequenos supermercados localizados em diversos bairros da cidade e nas grandes redes para poder fazer a comparação. Foram listados 35 produtos considerados de primeira necessidade para uma família de classe média. No levantamento, foi dado prioridade aos produtos com a mesma marca para evitar a diferença de preço.
O resultado mostrou que os pequenos podem ser tão competitivos quanto os grandes. A diferença foi pequena, não superando os 4 reais entre o pequeno de menor valor e o grande supermercado de maior valor.
O campeão de preços baixos foi o Mercadorama. A lista feita pela Folha mostrou que o consumidor gastaria R$ 62,90 para levar para casa os 35 itens básicos escolhidos para a pesquisa. Mas, se o mesmo consumidor morasse no bairro do Capão Raso e preferisse comprar no supermercado Beira Rio, ele iria gastar apenas 41 centavos a mais. As compras no Beira Rio somaram R$ 63,31, menor valor apurado. Com a diferença, o curitibano compraria apenas um sabonete ou um pacote de sal a mais no Mercadorama.
Além do Mercadorama, a pequisa foi feita no Carrefour e no Extra. Entre os grandes, os 35 produtos ficaram mais caros no Carrefour, com um total de R$ 67,70, o que representa R$ 4,80 a mais do que no Mercadorama. O Extra fechou com R$ 64,51, o que dá R$ 1,61 a mais do que no estabelecimento mais barato.
Quando a comparação parte para os pequenos, o campeão de preço alto foi o Girassol com R$ 69,25. Em seguida apareceu o Dois Ramos com R$ 65,52 e o Gasparin com R$ 65,19. Três das quatro lojas visitadas tiveram preços mais baratos do que o Carrefour. Em compensação, o pequeno supermercado Girassol, que pertence à rede Master, teve os maiores preços entre todos os pesquisados.
As diferenças entre grandes e pequenos mostra que a concorrência não pode se restringir apenas às grandes redes. Elas têm que se preocupar com os pequenos. ‘‘O maior mercado pode oferecer promoções melhores, mas muitas vezes na média o pequeno tem preços competitivos’’, afirma o diretor executivo da Associação Paranaense de Supermercados (Apras), Moacir Moura. Ele ressalta que os consumidores devem comparar sempre os preços para garantir a melhor compra.
Moura diz que a vantagem do grande supermercado está na oferta de maior número de produtos e marcas diferentes. Eles podem dar ainda maior conforto aos clientes, que têm estacionamentos, maior número de caixas e espaço entre as gôndolas. ‘‘Em contrapartida, os supermercados de bairro podem dar ao cliente o tratamento mais humanizado. Podem chamar os clientes pelo nome’’, diz o diretor da Apras. O Paraná tem 1,1 mil supermercados com mais de três caixas cadastrados na entidade. Deste total, 70% são pequenos, tendo de 3 a 10 caixas.

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