Mensalidade escolar eleva inflação
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terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
Agência Estado 
Rio e São Paulo - A inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) se acelerou de alta de 0,52% em janeiro para alta de 0,94% em fevereiro. Até este mês, o IPCA-15 acumula altas de 1,46% em 2010 e de 4,63% nos últimos 12 meses. Dentro do índice, os preços do grupo Educação registraram alta de 4,55% em fevereiro e contribuiu com 0,32 ponto porcentual no resultado do IPCA-15. Segundo o IBGE, o resultado reflete os reajustes das mensalidades escolares, sobretudo dos cursos de ensino formal (5,38%). Os alimentos também aceleraram a trajetória de alta e subiram 0,98% em fevereiro, ante 0,81% em janeiro.
O grupo dos não alimentícios registrou alta de 0,93% em fevereiro, ante 0,44% em janeiro, com impacto especialmente dos ônibus urbanos (3,84%), gasolina (1,34%) e álcool (8,86%).
A economista-chefe do ING Bank, Zeina Latif, disse que a principal surpresa do IPCA-15 foi o avanço da inflação de serviços. Segundo seus cálculos, a inflação de serviços atingiu 1,94%, acima da taxa de 1,82% no IPCA-15 de fevereiro de 2009. Quando se exclui o grupo Educação (que teve alta de 5,28%, ante 5,69% em igual período do ano passado), entretanto, a alta dos serviços fica em 0,83%, acima da taxa de 0,54% no indicador de fevereiro de 2009.
Zeina explica que a alta da inflação de serviços é sempre uma razão de preocupação, pois é considerada mais rígida e, assim, tira o espaço para a alta de outros itens. E também porque é considerada um indicador de demanda. Mas ela acredita que, desta vez, essa alta pode estar relacionada ao aumento do salário mínimo, para R$ 510 em janeiro.
Segundo ela, o mínimo é usado como referência para formação de preços de alguns serviços, refletindo uma espécie de indexação informal. ''Acho que a alta dos preços de serviços não é só demanda, mas também reflexo dessa indexação'', afirma.
O resultado do IPCA-15 de fevereiro, em sua opinião, reforça a ideia de que a inflação deve ser ''fortemente monitorada'', especialmente quando se olha para os núcleos do indicador. Mas, ainda assim, ela diz que é cedo para afirmar que há riscos de descumprimento da meta de inflação, porque até mesmo a alta dos núcleos sofre influências sazonais. ''Acho que os núcleos mostram coisas que incomodam, mas não dou peso exagerado a isso, pois essas medidas têm uma volatilidade que não é baixa'', afirma.
A economista-chefe da Icap Brasil, Inês Filipa, avalia que a inflação do IPCA-15 superou sua expectativa, que esperava alta de 0,85%. Em relatório, a economista explicou que o desvio entre a sua previsão e a taxa efetiva foi provocado pela captura com maior intensidade nesta pesquisa, da alta sazonal dos grupos Transportes, Alimentação e Educação.
Os destaques positivos, de acordo com Inês, foram a deflação observada nos preços dos artigos de vestuário e o arrefecimento das despesas pessoais. Mas nesta direção, a economista destaca a desaceleração dos serviços pessoais e recreação como reflexo do fim das férias escolares.


