Mensalidade das escolas particulares subirá 12%
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quinta-feira, 17 de novembro de 2016
Luís Fernando Wiltemburg<br>Reportagem Local 
As escolas particulares do ensino básico de Londrina devem aumentar as mensalidades para o ano que vem em cerca de 12%, quase o dobro da inflação esperada para este ano, conforme o Boletim Focus, do Banco Central (BC). A média de reajuste foi estimada pelo presidente do Sindicato das Escolas Particulares (Sinepe) do Norte do Paraná, Aldeni Luiz Ferraresi. O impacto maior na planilha vem do reajuste dos professores concedido em março deste ano, de 11,08%.
O último Boletim Focus, divulgado na sexta-feira pelo BC, reduziu a previsão de Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a variação para as famílias brasileiras, para 6,84% em 2016 e 4,93% no ano que vem.
Segundo Ferraresi, os aumentos nas mensalidades vão variar de 9% a 14%. No ano passado, ficou um pouco abaixo, em cerca de 10%.
Os valores são estipulados por cada escola, com base nas próprias planilhas, sem interferência do sindicato. O cálculo leva em conta todas as despesas que a instituição de ensino tem para funcionar, de serviços básicos e folha de pagamento a investimentos na área pedagógica.
O reajuste nos salários dos professores é concedido no mês de março. "A preocupação é com março do ano que vem. As escolas preveem qual reajuste que pretendem dar e calculam quanto será necessário para isso", afirma.
Londrina tem 150 instituições particulares com ensino infantil, fundamental e médio e atendem cerca de 29 mil alunos. No Paraná, segundo números de 2015 no site do Sinepe, a rede particular atendia 17% de todos os alunos da educação básica no Estado (408,7 mil).
Para a professora de línguas Perla Rodriguez, o impacto na mensalidade que paga para o filho, Antônio Rodriguez, estudar em uma escola particular de Londrina será de 18% no ano que vem. Com uma ressalva: "Depende do que você chama de mensalidade", diz. O valor básico este ano é de R$ 1,2 mil. Mas, se tiver de comer na escola, sobe mais R$ 200. Se contabilizar a formatura, são outros R$ 200.
A justificativa da instituição, afirma, foi o salário dos docentes, que têm dedicação exclusiva. Mesmo reconhecendo que o valor pago é mais alto que em algumas faculdades e que pesa no orçamento, ela admite que a qualidade do ensino oferecido compensa os custos. Por isso, pretende manter a matrícula de Antônio.
Só o necessário
Ferraresi admite que as instituições enfrentam um risco ao implantar reajustes acima da inflação, mas defende que é necessário. "Ninguém é imprudente de aplicar um aumento maior do que precisa, num momento econômico como o que estamos vivendo", defende.
Ele se refere à crise econômica, que provocou fechamento de postos de trabalho e redução de renda e migração de alunos para as redes públicas municipal e estadual. A estimativa do presidente do sindicato é que a evasão para as públicas, de 2015 para 2016, foi de 6% - os números reais ainda não foram divulgados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).
A secretária municipal de Educação de Londrina, Janet Thomas, diz que a rede municipal de educação infantil recebeu 800 transferências de estudantes vindos da rede privada no ano passado. No caso do ensino infantil, houve aumento de 30% na fila de espera no início do segundo semestre, um movimento anormal que indica mudança.
A chefe do Núcleo Regional de Educação (NRE) de Londrina, Lúcia Cortez, diz que cerca de 300 alunos da rede privada ingressaram no ensino público estadual (a partir do sexto ano) em 2015 e que 600 procuraram as instituições do ensino médio.
Ferraresi admite que houve migração, mas vê um movimento contrário este ano, devido às ocupações de estudantes nas escolas e ao segundo ano seguido de greve na rede estadual.


