Mensagens dificultam consumo responsável
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sexta-feira, 11 de julho de 2008
Fátima C. Cardoso<br>Agência Estado 
São Paulo - Antes de suas compras, pergunte-se: necessito, mesmo, desse produto ou serviço? Ele é econômico? Não-poluente? É reciclável? Seus ingredientes ou componentes são obtidos respeitando-se a preservação do meio ambiente e da saúde humana? Ele é seguro? A empresa respeita os direitos dos trabalhadores? A empresa respeita os direitos do consumidor?,
Cada vez mais os consumidores fazem perguntas como essas na hora das compras. E as respostas estão ficando mais confusas. É o que mostra pesquisas recentes realizadas com consumidores em vários lugares do mundo.
Os especialistas em marketing chamam esse fenômeno de ''green noise'' ou ''green fatigue'' (algo como barulho verde ou cansaço verde). Dois estudos feitos por empresas de comunicação e propaganda americanas apontam, por exemplo, que a tarefa dos marqueteiros que buscam mudar o comportamento do consumidor na direção da sustentabilidade tem ficado cada vez mais difícil.
A agência de marketing e relações públicas Shelton Group divulgou recentemente o relatório ''Eco Pulse'', um estudo que busca identificar como os consumidores americanos identificam produtos, serviços e certificações para uma casa sustentável. Quase a metade dos participantes não conseguiu nomear nenhuma característica que pudesse enquadrar uma construção como mais amigável ambientalmente.
Poucos entrevistados citaram exemplos como energia solar, lâmpadas fluorescentes e uso de materiais reciclados. Quando, porém, foi apresentada uma lista com 17 opções, os consumidores pesquisados escolheram em média de 10,4 itens como necessários para que uma casa fosse considerada ''verde''.
A pesquisa mostra, segundo o Shelton Group, que há uma grande incerteza para a média dos consumidores sobre como se tornar mais sustentável. Outra agência americana, a Porter Novelli, acaba de avaliar como é o comportamento do consumidor em relação ao tema da sustentabilidade e, após realizar uma pesquisa de opinião com 12 mil adultos nos EUA, criou o perfil de uma parcela específica de consumidores - os ''greenfluencers'' -, que até mesmo ganharam um blog (http://greenfluencer.com/).
Esse grupo de líderes ambientes (ou influenciadores verdes, numa tradução livre) compõe 4% da população americana e se caracterizam por serem ambientalmente educados, politicamente ativos e socialmente conectados. São os indivíduos que estão direcionando as tendências do consumo responsável.
Segundo a Porter Novelli, esses consumidores dão dicas para seus amigos sobre o que comprar e o que não comprar, são mais propensos a participarem de listas de discussão online ou blogs e 41% escrevem para seus representantes políticos. Não é à toa que a empresa criou o blog, onde se dispõe a conectar os ''greenfluencers'' aos ''profissionais de marketing, aos ativistas, aos responsáveis por políticas públicas e à mídia'', e onde, é claro, poderá refinar com informações dos próprios consumidores como agem e pensam esses líderes ambientais.


