Mensagem contra OGMs não terá vetos de Requião
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quinta-feira, 16 de outubro de 2003
Luciana Pombo eLeandro Donatti<br> Equipe da Folha 
Curitiba O governador Roberto Requião (PMDB) vai sancionar integralmente a mensagem aprovada pela Assembléia Legislativa, na última quarta-feira, que proíbe genericamente o plantio, comercialização e industrialização de transgênicos no Estado. A chancela do governador deve ocorrer até segunda-feira da semana que vem. O secretário-chefe da Casa Civil, Caíto Quintana, afirmou ontem que o Estado já fechou questão na aprovação da proposta. Para ele, os produtores que desafiarem a lei serão fiscalizados com rigor. ''Esse é um jogo duro, pesado e estamos proibindo a exportação pelo Porto de Paranaguá'', afirmou Caíto.
A decisão do governo de sancionar integralmente a mensagem contra transgênicos enfraquece politicamente o secretário de Estado da Agricultura e Abastecimento, Orlando Pessuti (PMDB), que não concordou com o texto aprovado, com a ajuda do líder do governo na Assembléia, deputado estadual Angelo Vanhoni (PT). Pessuti alega que da forma como está a mensagem abrange outras culturas como o tomate, a batata e o milho. Pessuti defende que a proibição se restrinja à soja transgênica. Assim que a Assembléia aprovou a mensagem, o secretário, que também é vice-governador, entrou em rota de colisão com Vanhoni, que neste episódio saiu fortalecido.
Ontem, ambos adotaram tom conciliatório, para não ampliar o mal-estar instaurado no governo. Pessuti anunciou que sua pasta já iniciou um levantamento para interpretar o alcance da mensagem que proíbe transgênicos no Estado. A intenção é estabelecer qual será a responsabilidade de cada secretaria Agricultura, Saúde, Meio Ambiente, Indústria e Comércio na fiscalização e controle do plantio, comércio e industrialização de produtos alterados geneticamente.
De acordo com ele, será realizada uma força-tarefa com apoio de técnicos agrônomos da Companhia Paranaense de Desenvolvimento (Codapar), Empresa Brasileira de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) e do Instituto de Agronomia do Paraná (Iapar).
Atualmente, a secretaria conta com pouco mais de 100 profissionais. ''A necessidade é de termos pelo menos mais 50 pessoas ligadas diretamente ao combate dos transgênicos'', calculou Pessuti. A proposta é a de fazer um teste seletivo emergencial, com duração de um ano, para a contratação imediata de engenheiros agrônomos. ''Não é o caso de vetar o projeto aprovado na Assembléia. A única coisa que ficou polêmica foi a abrangência do projeto. No entanto, com ou sem os transgênicos, temos que fazer nosso trabalho e faremos'', declarou.
Anteontem, ao ser informado sobre a abrangência do projeto, Pessuti disse que pediria ao governador Requião que vetasse e encaminhasse uma nova mensagem particularizando a proibição da soja transgênica no Paraná. Ontem, ele não falava mais no assunto. Vanhoni também amenizou o discurso. ''Não acho que o debate gerou qualquer tipo de crise entre nós dois. Por que geraria?'', questionou.


