Menos de 5% das 200 maiores empresas têm proteção contra hacker
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quarta-feira, 31 de maio de 2000
Emerson Cervi De Curitiba 
Menos de 5% das 200 maiores empresas brasileiras têm algum sistema especial de proteção contra ataque de hackers. No ano passado, as invasões de sistemas eletrônicos causaram prejuízos de US$ 25 bilhões em todo o mundo. Desse total, US$ 10 bilhões por ataque de hackers e outros US$ 15 bilhões por vírus. No Brasil, não existem estimativas sobre o volume de danos causados por hackers. Com o crescimento do número de usuários de internet e do e-commerce (vendas eletrônicas) no Brasil que já chega a 12 milhões de computadores conectados os riscos ficam cada vez maiores.
Os números foram apresentados ontem pelo diretor de desenvolvimento de mercado da Internet Security Systems (ISS) no Brasil, Sidney Fabiani, durante o road show de segurança, em Curitiba. Ele falou a cerca de 250 empresários paranaenses sobre as formas de detecção e prevenção a hackers. Na pesquisa que fizemos com as 200 maiores empresas brasileiras constatamos que 62% delas sofreram algum tipo de ataque nos últimos 12 meses e 70% delas só descobriu a invasão 24 horas depois, disse. O pior é que em apenas 2,5% dos casos foi possível descobrir o invasor.
Outra informação que os empresários desconhecem é que a instalação e gerenciamento de um sistema de segurança eletrônica custa, em média, o equivalente a 1% do faturamento anual da empresa. Segundo o diretor da ISS, não existe segurança eletrônica 100%, mas formas de dificultar o acesso de hackers e de detecção on-line de intrusos nas redes internas.
Os empresários brasileiros ainda não estão no ponto ideal, mas começam a se preocupar cada vez mais com segurança eletrônica. Ele diz ser inevitável o crescimento dos investimentos nessa área. Será um processo parecido com o que aconteceu com a busca pela qualidade nos anos anteriores. A primeira empresa paranaense a contar com o sistema de segurança da ISS é a Global Telecom.
Outra mudança nas características dos hackers é a origem dos ataques. Até 1998, 59% dos ataques a empresas eram internos. Eram, principalmente, roubos de informações por funcionários descontentes. Em 1999 esse índice passou a 59% via internet e apenas 38% internos. As empresas mais vulneráveis são as que fazem comércio eletrônico, por permitirem o acesso facilitado a todos os usuários. O antigo conceito de permitir acesso apenas para usuários autorizados está mudando para garantir a acessibilidade ao maior número possível de pessoas.
No Brasil, os setores mais adiantados em segurança eletrônica são o financeiro e público. As empresas que atuam nesse setor também constataram uma queda no número de denúncias de ataques de hackers em todo o mundo. Em 1998 o FBI (Federal Boureau Investigation), dos Estados Unidos, estimou que apenas 39% dos danos causados por hackers a empresas foi registrado pelo polícia. No ano passado esse índice caiu para 25%. Muitas empresas têm arquivos roubados, apagados ou sofre outros danos e preferem não tornar esses fatos públicos para evitar danos maiores como a perda de clientes, conclui.


