Menos de 5% das 200 maiores empresas brasileiras têm algum sistema especial de proteção contra ataque de hackers. No ano passado, as invasões de sistemas eletrônicos causaram prejuízos de US$ 25 bilhões em todo o mundo. Desse total, US$ 10 bilhões por ataque de hackers e outros US$ 15 bilhões por vírus. No Brasil, não existem estimativas sobre o volume de danos causados por hackers. Com o crescimento do número de usuários de internet e do e-commerce (vendas eletrônicas) no Brasil – que já chega a 12 milhões de computadores conectados – os riscos ficam cada vez maiores.
Os números foram apresentados ontem pelo diretor de desenvolvimento de mercado da Internet Security Systems (ISS) no Brasil, Sidney Fabiani, durante o road show de segurança, em Curitiba. Ele falou a cerca de 250 empresários paranaenses sobre as formas de detecção e prevenção a hackers. ‘‘Na pesquisa que fizemos com as 200 maiores empresas brasileiras constatamos que 62% delas sofreram algum tipo de ataque nos últimos 12 meses e 70% delas só descobriu a invasão 24 horas depois’’, disse. ‘‘O pior é que em apenas 2,5% dos casos foi possível descobrir o invasor.’’
Outra informação que os empresários desconhecem é que a instalação e gerenciamento de um sistema de segurança eletrônica custa, em média, o equivalente a 1% do faturamento anual da empresa. Segundo o diretor da ISS, não existe segurança eletrônica ‘‘100%’’, mas formas de dificultar o acesso de hackers e de detecção on-line de intrusos nas redes internas.
‘‘Os empresários brasileiros ainda não estão no ponto ideal, mas começam a se preocupar cada vez mais com segurança eletrônica’’. Ele diz ser inevitável o crescimento dos investimentos nessa área. ‘‘Será um processo parecido com o que aconteceu com a busca pela qualidade nos anos anteriores’’. A primeira empresa paranaense a contar com o sistema de segurança da ISS é a Global Telecom.
Outra mudança nas características dos hackers é a origem dos ataques. Até 1998, 59% dos ataques a empresas eram internos. Eram, principalmente, roubos de informações por funcionários descontentes. Em 1999 esse índice passou a 59% via internet e apenas 38% internos. As empresas mais vulneráveis são as que fazem comércio eletrônico, por permitirem o acesso facilitado a todos os usuários. ‘‘O antigo conceito de permitir acesso apenas para usuários autorizados está mudando para garantir a acessibilidade ao maior número possível de pessoas.’’
No Brasil, os setores mais adiantados em segurança eletrônica são o financeiro e público. As empresas que atuam nesse setor também constataram uma queda no número de denúncias de ataques de hackers em todo o mundo. Em 1998 o FBI (Federal Boureau Investigation), dos Estados Unidos, estimou que apenas 39% dos danos causados por hackers a empresas foi registrado pelo polícia. No ano passado esse índice caiu para 25%. ‘‘Muitas empresas têm arquivos roubados, apagados ou sofre outros danos e preferem não tornar esses fatos públicos para evitar danos maiores como a perda de clientes’’, conclui.

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