O fato de ganhar menos também pode influenciar o comportamento das mulheres. Na pesquisa do Data Popular e SOS Corpo, entre as entrevistadas da classe D, 59% disseram que parariam de trabalhar para cuidar da casa. O percentual vai diminuindo gradativamente quanto maior a renda. Na classe C, 37% concordariam em parar de trabalhar, enquanto 32% nas classes AB.
Para a pesquisadora Verônica Ferreira, a dupla jornada de trabalho é um dos principais fatores para estes resultados. Quanto menor o poder aquisitivo, mais dificuldades as mulheres têm para manter esta rotina. "Além da ausência de apoio do Estado, com políticas públicas que possam facilitar esta jornada dupla, muitas vezes a família também não apoia esta iniciativa do trabalho remunerado."
Mesmo assim, no levantamento fica claro que depois que as mulheres conquistam sua autonomia financeira, dificilmente retornam apenas aos afazeres domésticos. Entre as entrevistadas, 91% concordaram com a frase "meu trabalho é fundamental na minha vida". Muitas delas, inclusive, disseram aos pesquisadores que com o trabalho fora de casa "não se sentem mais submissas aos maridos".
Entre 2002 e 2012, houve um aumento de 34% para 43% de mulheres no mercado de trabalho, balizado nas nove capitais avaliadas no estudo. "O que é importante dizer é que mais da metade das mulheres, independentemente da classe social a que pertencem, não parariam de trabalhar. Essa independência conquistada faz com que elas lutem para se realizar no mercado de trabalho", conclui a especialista. (V.L.)

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