Menem fica mal com empresariado
Menem fica mal com empresariado
O governo brasileiro derrubou a pretensão argentina de compensações pela desvalorização do real. Esta conquista o presidente Carlos Menem ficará devendo ao furioso empresariado de seu país. Em contrapartida, o governo argentino mantém a salvaguarda contra a importação de têxteis brasileiros - medida sujeita a negociação bilateral no Mercosul e a contestação na Organização Mundial do Comércio.
A diplomacia brasileira abriu uma brecha para enfrentar o problema dos têxteis no ambito regional. Além disso, o chanceler Luiz Felipe Lampreia deu como certa, numa entrevista ao lado de seus colegas do Mercosul, uma vitória brasileira, se houver um julgamento na OMC. Mas qualquer resultado só vai surgir quando o presidente argentino estiver encerrando seu mandato. Até lá, a barreira deverá manter-se.
Na conta de ganhos e perdas desta reunião do Mercosul, depois de dois dias de duras negociações entre argentinos e brasileiros, esses foram os principais resultados de curto prazo. Na discussão mais dura de ontem, foi derrubada a proposta argentina de um regime de medidas especiais de caráter transitório, destinadas a neutralizar os efeitos de de alterações bruscas e substanciais dos preços relativos. Em linguagem comum, a idéia era permitir medidas protecionistas para compensar os efeitos de mudanças cambiais. Aceitar essa proposta, segundo o chanceler Lampreia, seria abandonar o regime de uma área de livre comércio e retornar a um sistema de comércio administrado.





