O orçamento argentino do ano que vem terá um corte de US$ 2,5 bilhões. O anúncio foi feito pelo presidente Carlos Menem durante uma reunião com o Conselho Empresarial Argentino (CEA). Segundo Santiago Soldatti, um dos principais empresários do país e presidente do CEA, Menem afirmou que se fosse necessário ‘‘seriam feitos novos cortes’’.
Os empresários criticaram a reforma tributária, que aplicará impostos de 1% sobre os ativos das empresas e a taxa de 15% sobre os juros dos empréstimos contraídos no exterior. Eles também pediram a suspensão do Plano Laura, um ambicioso projeto de construção de 13 mil quilômetros de auto-estradas, que serão acrescentados à atual rede rodoviária.
No entanto, o chefe de gabinete de Menem, Jorge Rodríguez, declarou que o Plano Laura, alvo de amplas críticas, será reativado em breve. O plano seria financiado com um imposto extra aos combustíveis de US$ 0,10 por litro. A idéia do governo é que o imposto seja arrecadado paralelamente à construção das estradas, enquanto que a missão do FMI prefere que primeiro seja constituído um fundo para só depois construí-las.
Ele tentou tranquilizar o FMI afirmando que o investimento e o risco serão privados, e que não haverá impacto sobre o gasto público. Mas o FMI afirmou que prefere que o imposto sobre os combustíveis não seja gasto no Plano Laura. Além disso, pediu que seja ampliada a aplicação do Imposto de Valor Agregado (IVA), de forma que possibilite um aumento na arrecadação de US$ 350 milhões.
O vice-ministro da Economia, Carlos Rodríguez, que deixará o cargo esta semana, declarou que o FMI aprovou as metas fiscais. Segundo ele, esta é a oitava vez consecutiva em que as metas fiscais são cumpridas. Além disso, segundo ele, o FMI concordou com as reformas tributárias e trabalhistas. Na próxima visita do Fundo, afirmou, as reformas estarão aprovadas pelo Congresso. Sobre a reforma trabalhista, o FMI partirá sem saber o que o governo fará. Nas reuniões com a missão, ministro do Trabalho, Ermán González, prometeu rever os pontos mais conflitivos, mas em encontros com a Confederação Geral do Trabalho, disse que as conquistas sindicais serão mantidas.
No entanto, segundo Rodríguez, a meta pactada do déficit comercial não foi cumprida, ‘‘e não será cumprida no resto do ano’’. Em janeiro, o FMI e o governo argentino concordaram com um déficit de US$ 5 bilhões. No entanto, o déficit já está atingindo US$ 5,4 bilhões. O governo admite que poderá chegar a US$ 6,5 bilhões, embora o FMI calcule que será de US$ 7 bilhões.
Antes de partir ontem à tarde de Buenos Aires, a missão do FMI encontrou-se com o ministro da Economia, Roque Fernández. Ao contrário da visita anterior, quando o FMI divulgou um relatório que causou protestos de parlamentares do governo e da oposição, desta vez a missão deixou o país silenciosamente. As conclusões da missão do Fundo somente serão conhecidas no dia 24 de agosto. O balanço final de analistas econômicos é que o Fundo foi mais condescendente desta vez. ‘‘Após tantos fiascos na Ásia, a Argentina é a única vitrine que possuem’’, afirmam.Arquivo FolhaGastos sob controleO presidente da Argentina, Carlos Menem: se for necessário, novos cortes serão feitosAriel Palacios
Agência Estado

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