Menem elogia FHC e diz que Mercosul vai superar crises
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quarta-feira, 10 de setembro de 1997
Agência Estado São Paulo 
Arquivo FolhaDiscursoO presidente argentino Carlos Menem: Alca não está descartada, mas Mercosul vem primeiroO presidente da Argentina, Carlos Menem, fez ontem um discurso diplomático durante a abertura da 3ª Cúpula Econômica do Mercosul. Menem elogiou o presidente Fernando Henrique Cardoso e disse que o Mercosul certamente superará pequenas crises, numa referência aos desentendimentos entre Brasil e Argentina no último mês.
Menem mandou um recado para os Estados Unidos. Queremos avançar mais, queremos competir, queremos eliminar todo tipo de subsídio, e por isso estamos dizendo àqueles que foram nossos mestres na economia de mercado que não têm apenas que falar, mas também por em prática o que defendem e não subsidiem sua produção para que o Mercosul possa competir em um mercado liberado, que é o que estamos fazendo aqui.
Questionado sobre o tempo necessário para que sejam concluídas negociações sobre a Área de Livre-Comércio das Américas (Alca), Menem lembrou que o Mercosul está copiando todos os passos dados pela União Européia. Mas eles demoraram 40 anos e nós fizemos o Mercosul em cinco. O presidente argentino fez questão de ressaltar que a Alca não está descartada, mas ponderou que o Mercosul vem primeiro. Ele disse também que FHC é seu amigo e um dos melhores estadistas do mundo.
O encontro Um Mercosul mais ágil, mais eficiente, com melhores mecanismos para resolver conflitos tarifários e aberto para negociações multilaterais. Esta é a expectativa com que representantes empresariais e governamentais de 30 países, incluindo Estados Unidos e as principais nações européias, estão reunidos na 3ª Cúpula Econômica do Mercosul, organizada pelo World Economic Forum (WEF), uma entidade privada e mantida pelas mil maiores empresas do mundo.
O encontro acontece no Hotel Renaissance, em São Paulo, e está reunindo 400 empresários do mundo, sendo metade do próprio Mercosul e metade destes outros 30 países. A expectativa de que o Mercosul ande mais depressa foi manifestada - e defendida - por Jesus Seade, vice-diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC). O Mercosul deve se fortalecer e buscar a eficiência da região, mas não pode esperar muito tempo, disse ele. A região não pode esperar 20 anos. As grandes companhias internacionais, por sua vez, avaliam que o Mercosul é um sucesso que precisa pensar no passo seguinte. Como o Mercosul irá se desenvolver no próximo século?, perguntou o empresário Fred Steingraber, chefe dadelegação de empresários da 3ª Cúpula. A preocupação das empresas com a região foi resumida por ele em quatro problemas: baixo ritmo de crescimento econômico, arrefecimento das exportações, diferença muito grande entre os níveis de renda da população e, em consequência, a dificudade de transformar a região em um mercado para produtos e serviços de alto valor agregado.
O presidente Fernando Henrique faz o encerramento do encontro na sexta-feira.


