A divulgação dos preços mínimos para a safra 98/99 irritou as lideranças do Paraná, que pedem a revisão da política agrícola do país, sob o risco de o setor entrar em declínio. O presidente da Faep, Ágide Meneguette, disse que a política de preços mínimos já foi instrumento de sustentação do mercado. ‘‘Mas, hoje, virou peça de ficção’’.
Para o presidente da Ocepar, João Paulo Koslovski, o País precisaria adotar uma política de garantia de renda ao produtor, para que ele tenha condições de plantar na safra seguinte.
Para Meneguette, a política de preços mínimos está valendo apenas para a agricultura familiar, para o crédito via Pronaf, enquanto os demais produtores ficam sem garantia alguma.
Os preços mínimos são os mesmos nos últimos quatro anos e nem o próprio governo respeita mais essa política e a divulgação dos valores não passa de dever burocrático que não vai aliviar em nada o drama da Agricultura, disse o presidente da Faep.
Para se ter uma idéia da deterioração dos valores, enquanto a inflação teve uma variação de 70% e a defasagem cambial foi de 20% neste período, os preços dos produtos agrícolas permanecem os mesmos. Meneguette sugeriu a adoção urgente de uma política agrícola para evitar a redução na produção.
O presidente da Ocepar também prevê uma redução drástica na produção se o governo não atender às sugestões feitas essa semana. Para Koslovski, na última safra somente dois produtos, algodão e trigo, tiveram o amparo do preço mínimo através dos leilões do PEP (Prêmio de Escoamento do Produto). Mesmo assim, a maior parte da safra de algodão foi comercializada abaixo do mínimo até que o governo se decidisse pelo PEP.
Segundo Koslovski, a garantia de renda, o produtor terá condições de plantar na próxima safra, explicou.

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