Mendonça de Barros já prevê TJLP de um dígito
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sexta-feira, 14 de março de 1997
Agência Estado 
SÃO PAULO - A Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), que está fixada em 10,3% ao ano, deverá chegar a um dígito num horizonte bastante próximo, informou ontem, em São Paulo, o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luiz Carlos Mendonça de Barros. O governo está empenhado em reduzir os custos financeiros para os investimentos no setor produtivo, acrescentou. Por isso, estuda ainda outras medidas para simplificar as operações de crédito para as empresas.
O presidente do BNDES e seu irmão, José Roberto Mendonça de Barros, secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, estiveram reunidos com diretores da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). O objetivo da reunião foi tranquilizar os empresários. Segundo informaram, o governo não pensa adotar medidas de contenção ao crescimento econômico. Ao contrário, pretende criar novas fórmulas para estimular a produção e para melhorar a competitividade das empresas para que possam enfrentar em melhores condições a concorrência do produto importado no mercado interno, além de acelerar as exportações.
O BNDES, segundo Luiz Carlos, toma providências para se aproximar do setor produtivo. Para que as pequenas e médias empresas tenham maior acesso ao crédito, o BNDES estuda melhorar o chamado del credere (taxa de repasse) dos bancos, a quem cabe distribuir os recursos da instituição oficial nas operações com valor de até R$ 5 milhões. Para as operações entre R$ 5 milhões e R$ 10 milhões, o BNDES vai adotar uma fórmula que permitirá acesso aos recursos sem que as empresas tenham de enfrentar a burocracia.
As empresas serão cadastradas e classificadas segundo a sua capacidade de pagamento pelo BNDES. Ao solicitarem financiamento para a compra de equipamentos, terão o seu crédito liberado rapidamente. O presidente do BNDES citou como exemplo da disposição oficial em participar das atividades das empresas os créditos recentemente liberados para duas grandes empresas: as Indústrias Bardella e a Confab. Ambas irão participar de projetos no Exterior e os recursos a custos compatíveis com o mercado financeiro internacional permitiram que vencessem concorrências internacionais.
O governo manterá a direção da política monetária que permitirá a redução das taxas de juros, que levará a TJLP a apenas um dígito. Para acelerar as exportações, o BNDES se prepara para lançar o Fundo de Aval, cujo valor inicial será de R$ 100 milhões. O Fundo de Aval se destina à garantia das operações de financiamento das exportações.


