Mendonça de Barros defende redução
Um dia depois de o novo presidente do Banco Central, Gustavo Franco, afirmar que a política financeira do governo não mudará, o secretário da Política Econômica do Ministério da Fazenda, José Roberto Mendonça de Barros, disse ontem que a inflação baixa abre espaço para quedas na taxa de juros.
Mendonça de Barros lembrou que essa posição já foi defendida por Francisco Lopes, diretor do BC, e que cabe ao Banco Central decidir o momento certo para reduzir a taxa. Os juros altos e o câmbio sobrevalorizado, âncoras do Plano Real, são partes da política defendida por Franco.
A deflação não é resultado de processo recessivo, o país está crescendo, afirmou. Ela resulta da continuidade do processo de ajuste estrutural, que faz cair o custo de produção de uma série de bens e serviços. O secretário disse que a previsão (de inflação) para os próximos meses é muito baixa, da ordem de 0,10%, 0,20%.
Segundo ele, o governo prevê para 1997 um crescimento de 4% do PIB (Produto Interno Bruto, conjunto de bens e serviços produzidos no país) e um superávit em suas contas de 1,5% do PIB. Outra meta é a estabilidade da dívida pública em relação ao Produto Interno Bruto, que tem sido da ordem de 34,2%, 34,3%, disse ele. A taxa está estável desde novembro do ano passado, achamos que vai continuar assim até o fim de 97.
Mendonça de Barros deu entrevista após a cerimônia de entrega do Prêmio
Excelência Empresarial de 1997, concedido pela Fundação Getúlio Vargas. A solenidade ocorreu na sede da FGV, em Botafogo (zona sul do Rio). O presidente do Grupo Votorantim, Antonio Ermírio de Moraes, que também participou da cerimônia, afirmou que costuma reclamar da âncora cambial e dos juros elevados, mas disse que é preciso compreender que o Brasil é um país novo.
Ermírio disse que a síntese do governo é proibir menos, trabalhar muito e educar muito mais, mas lamentou o aumento nas taxas de desemprego na economia brasileira. Nos três anos do Plano Real, fomos obrigados a desempregar muito, afirmou. Éramos (no Grupo Votorantim) 60 mil, hoje somos 40 mil. É doloroso. Segundo o empresário, o maior problema do Brasil é o desemprego. Ermírio defendeu investimentos pesados em educação para superar o subdesenvolvimento.(Agência Folha)





