Melhoria em trilhos triplicará capacidade

Londrina será beneficiada também por mudanças no modal ferroviário, propostas no Plano Estadual de Logística em Transporte do Paraná (PELT) para até triplicar a capacidade de carga para o Porto de Paranaguá. O projeto inicial é a revitalização do atual traçado, com mudança somente em uma curva, próxima à Ponte São João, em Morretes, para facilitar o tráfego de locomotivas com maior capacidade de transporte.
Há empecilhos. A ferrovia foi inaugurada em 1885 e é tombada pelo Patrimônio Histórico do Paraná, que precisa autorizar mudanças. Ainda, será preciso derrubar cerca de 70 árvores, fazer um talude e um muro de arrimo. Assim, será possível deslocar os trilhos da curva em 5 metros, de forma permitir a agilizar o transporte.
Os dois eixos estaduais de transporte ferroviário hoje são o de Apucarana aos Campos Gerais, que é o principal, e o de Cascavel ao mesmo local. Londrina, que embarca principalmente soja, usa o trajeto a partir de Apucarana, por onde passa hoje 90% da carga sobre trilhos do Estado, e ganharia também uma via mais barata de escoamento para facilitar a instalação de indústrias.
O executivo do Conselho em Logística de Infraestrutura da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), João Arthur Mohr, afirma que as composições que trafegam pelas ferrovias regionais usam hoje três locomotivas para cem vagões. Porém, ao chegar à curva em questão, na Serra do Mar, é preciso trocar por locomotivas menores, que levam apenas 50 vagões a 15 km/h. "A concessionária Rumo comprou locomotivas especiais e ainda não pode usar, necessitam de um raio de 70 metros ou mais nas curvas e existe somente uma em que não conseguem passar", diz.
Mohr diz que o novo maquinário permite levar 120 vagões com velocidade até 30% maior, o que fará com que as cerca de 10 milhões de toneladas descarregadas via trens em Paranaguá passem para 30 milhões. Toda a carga que passou pelo porto em 2016 foi de 45 milhões de t e a perspectiva é de fechar 2017 com 50 milhões e 2035, com 60 milhões. "O que não vai por ferrovias vai por caminhões, que custa de 20% a 30% a mais. A maioria dos países movimenta cerca de 40% da carga por trilhos e nós ficamos em torno de 20%. Dá para melhorar", diz o executivo da Fiep.
Ele acredita que as licenças demorem ao menos 30 dias para liberação das obras, que durariam até três anos, ao custo de R$ 2 bilhões. "Esse salto de 20 milhões de toneladas pela ferrovia por um frete 20% menor significa uma economia de R$ 400 milhões ao ano. Então é algo que se paga em cinco anos", diz Mohr. (F.G.)





