Ainda hoje é comum encontrar organizações que se referem aos seus funcionários como ''mão-de-obra''. Se pensarmos um pouco sobre este fato poderemos concluir, entre outras coisas, que estamos diante de um grande desperdício, já que funcionários de qualquer organização possuem bem mais a oferecer do que a energia física implícita na expressão ''mão-de-obra''. As origens deste engano vêm de longe. Atribui-se ao empresário norte-americano Henry Ford, no começo do século passado, a afirmação que ''para ser um bom operário é melhor deixar o cérebro em casa''.
O modelo de produção em vigor naquela época era baseado numa divisão de trabalho na qual, durante a execução das tarefas, o ato de pensar atrapalhava. Quem se lembra do filme ''Tempos Modernos'' do genial Carlitos? Por quê o modelo retratado ali, em preto e branco, não funciona mais? Porque atualmente as organizações, para serem produtivas, têm de dar respostas, simultaneamente, aos desafios de custo, qualidade, prazo de entrega, flexibilidade e inovação. E isto só se consegue quando as organizações criam um ambiente onde todo o potencial de trabalho das pessoas esteja presente, e não apenas a ''mão-de-obra'' de cada um.
Décadas atrás, também era possível prosperar praticando o conceito de que o cliente, ao comprar um carro, poderia escolher qualquer cor desde que fosse preta. Hoje, quanto tempo duraria no mercado uma empresa que ainda ousasse praticar isso? Para inovar, as organizações precisam de conhecimento, e o único lugar no mundo onde existe conhecimento é no cérebro das pessoas. Nos computadores, nos livros podemos achar dados e até informações, mas conhecimento, só nas pessoas. Isto faz toda a diferença e ajuda a explicar porque está tão errado um conceito econômico segundo o qual produtividade é sinônimo de trabalhar mais. Não é.
No século XVIII, na Índia, para se processar 100 libras de algodão no fuso manual, eram necessárias 40 mil horas de trabalho. Para se fazer a mesma coisa hoje com um fiandeira moderna, 40 horas são suficientes. Um aumento de produtividade de 1.250 vezes. O avanço dramático da produtividade se deu pela evolução da tecnologia. Por mais que se esforçassem, os trabalhadores que usavam o fuso manual indiano não conseguiriam competir com o fuso moderno. Podemos dizer, então, que uma das maneiras de melhorar a produtividade é trabalhar melhor, utilizando conhecimento para desenvolver as melhores técnicas de produção.
Vejamos outro exemplo. Segundo dados do MDIC/Secex, entre janeiro e outubro de 2001, o Brasil faturou 608,17 dólares para cada tonelada exportada para o Japão. Entretanto, teve de pagar 4.247,79 dólares para cada tonelada que importou. Neste caso, a perda foi de 3.639,62 dólares por tonelada comercializada. Por quê? Porque exportou produtos com baixo conteúdo de conhecimento minério, matérias-primas e importou máquinas equipamentos, chips etc. Se nossas organizações não forem capazes de gerar produtos com mais conteúdo de conhecimento, terão dificuldades para melhorar os resultados financeiros. Como fazer isto? Usando o conhecimento.
Conhecimento para medir, analisar e melhorar a produtividade. O primeiro passo para a melhoria da produtividade é saber medi-la corretamente. Uma dica importante é usar o Valor Adicionado ao invés do faturamento. Dividindo-se o Valor Adicionado pelo número de pessoas, obtém-se a produtividade do trabalho. Se for possível fazer este cálculo para vários períodos, será possível ver claramente qual tem sido a tendência da produtividade, isto é, se ela está aumentando ou diminuindo. Como a empresa está inserida no mercado, seus indicadores internos precisam ser comparados com os de outras empresas, para que se possa descobrir aquilo que é mais importante num ambiente competitivo: como está a produtividade relativa desta empresa.
Como regra geral, podemos dizer que quanto mais produtiva a organização, mais competitiva ela é. Outra vantagem de conhecer o Valor Adicionado é que ele mostra o total de riqueza que a organização está gerando. Mais do que isso, consegue enxergar onde está esta riqueza através da decomposição de fatores como salários, lucro, impostos, juros, etc, o que o torna o Valor Adicionado uma ferramenta importantíssima para o planejamento da empresa. Quem desejar saber mais sobre como medir a produtividade e o Valor Adicionado, pode fazer contato com o IBQP-PR. Esta é uma de nossas especialidades.


- Fulgêncio Torres é Diretor Técnico do IBQP-PR.

mockup