Brasília A alta de 0,20% do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em outubro, que ficou abaixo da esperada pelo mercado, levou as instituições financeiras a reduzir novamente suas expectativas de inflação. A taxa prevista para o IPCA dos próximos 12 meses caiu de 6,14%, na semana passada, para 6,01% na pesquisa que o Banco Central faz regularmente com um grupo de 80 instituições financeiras e empresas de consultoria. Há quatro semanas, a previsão era de 6,59%. Também recuou de 9,69% para 9,57% a expectativa do mercado para o IPCA de 2003. Os números foram divulgados ontem.
O mercado revisou para baixo a expectativa de inflação de novembro, que passou de 0,54% para 0,50%, mas manteve em 6% a previsão de IPCA para 2004. A pesquisa do BC identificou ainda uma queda da previsão para 2003 dos reajustes dos preços administrados, como tarifas de telefone e energia elétrica. A alta prevista caiu de 13,85% para 13,60%. Para 2004, a projeção de aumento desses preços, que vem pesando bastante no IPCA, permaneceu em 8%.
Mesmo com a expectativa de inflação mais baixa, a projeção do mercado para a taxa básica de juros (Selic) no final de 2003 subiu de 17,25% para 17,32% ao ano. Apesar desse ajuste, o porcentual projetado ainda é menor que os 17,35% de quatro semanas atrás e embute uma expectativa de queda dos juros até o fim do ano de 1,68 ponto porcentual. O mercado manteve a aposta de que o juro básico estará em 18% no final deste mês, concentrando as expectativas em torno da possibilidade de queda de um ponto da Selic na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom).
Continuou melhorando também a expectativa do mercado apra as contas externas. A projeção para o saldo da balança comercial de 2003 subiu de US$ 22,30 bilhões para US$ 23 bilhões, e foi mantida a estimativa de saldo positivo de US$ 17 bilhões em 2004. Com isso, aumentou de US$ 1,70 bilhão para US$ 1,90 bilhão a previsão para o superávit deste ano em conta corrente, que engloba, além de exportações e importações, os pagamentos de serviços e rendas. Há quatro semanas, a projeção de superávit nessa conta era de US$ 200 milhões. Para 2004, o mercado ainda trabalha com expectativa de déficit em conta corrente, mas ela caiu de US$ 4,12 bilhões para US$ 4 bilhões, ante os US$ 5 bilhões de há quatro semanas.

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