Melhora perfil empreendedor no Brasil
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terça-feira, 26 de abril de 2011
Álvaro Campos <br> Agência Estado 
São Paulo - A pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM), divulgada ontem pelo Sebrae, mostra que a qualidade do empreendedorismo no Brasil melhorou em 2010. O estudo ouviu dois mil empreendedores em todo o País no ano passado. Desse total, 68% afirmaram que resolveram entrar no mercado porque viram uma oportunidade e os outros 32% decidiram empreender por necessidade. Conforme a FOLHA na edição de 21 de abril, o empreendedorismo no Paraná segue tendência semelhante.
Segundo Eduardo Righi, diretor presidente do Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade (IBQP) e integrante da pesquisa, ''quando a pessoa empreende por oportunidade, a tendência de êxito é muito maior''. A proporção dos empreendimentos por oportunidade ante por necessidade no Brasil (2,1 por 1) é superior a de alguns países desenvolvidos, como o Japão (1,8 por 1), e próxima da dos Estados Unidos (2,4 por 1) e a maior entre os 20 países mais ricos e emergentes do mundo. Em 2009, a relação no Brasil havia sido de 1,6 empresa criada por oportunidade por uma surgida a partir de necessidade. Já em 2010, entre as empresas nascentes (com até três meses de existência), essa proporção foi de 3,1 por 1.
O presidente nacional do Sebrae, Luiz Barreto, confirma. ''Existe uma série de características que mostram que a pessoa não empreende por sufoco, ela se prepara, planeja e vai para o mercado.'' A pesquisa GEM não diferencia empreendimentos formais ou informais, mas Barreto lembra que, em nove meses, o programa do Microeempreendedor Individual (MEI) formalizou 1 milhão de microempresários no País. ''Isso é reflexo da estabilidade econômica, do crescimento do mercado interno, do aumento do tempo de permanência na escola'', avalia.
Desafios
Mas o empreendedor brasileiro ainda tem grandes desafios pela frente. Segundo Barreto, um dos aspectos que precisa ser aperfeiçoado é a questão da inovação. Dos empreendedores no País em 2010, apenas 16,8% afirmaram que seu produto é novo para todos ou alguns consumidores. Nos Estados Unidos esse índice é de quase 40%. Outro gargalo é acesso à exportação. As micro e pequenas empresas respondem por aproximadamente 20% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e colaboram com quase 50% dos postos de trabalho formais. Mas apenas 1% delas exportam.
Mulheres
Em 2010, 50,7% dos empreendedores brasileiros eram homens e 49,3%, mulheres. Apesar dessa relação ter diminuído em relação a 2009 (quando era de 47% homens e 53% mulheres), o Brasil é o segundo país onde as mulheres mais empreendem, perdendo apenas para Gana. Segundo a pesquisa GEM, há uma tendência indicando que as mulheres buscam alternativas de empreendimentos para completar a renda familiar.


