Melhora no ranking de risco ainda deve demorar
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quarta-feira, 25 de agosto de 2004
Agência Estado 
Brasília - A melhora verificada nos principais indicadores de endividamento externo não deverão se traduzir numa mudança, no curto prazo, da posição do Brasil na escala de classificação de risco feita pelas agências internacionais. Desde o fim de 1999, a economia brasileira tem registrado uma recuperação importante nas estatísticas que sinalizam a capacidade de uma economia honrar seus pagamentos externos. No entanto, a avaliação dos especialistas que trabalham com esses dados é de que a melhora do cenário brasileiro já era esperada e estava computada na nota atribuída ao País.
Segundo dados do Banco Central, entre dezembro de 1999 e março de 2004 os gastos com pagamento de juros da dívida externa, em comparação com o volume de dólares obtidos com as exportações de produtos nacionais, teve uma queda expressiva. Há cinco anos, essas despesas equivaliam a 146,6% do valor das vendas externas, o que na prática significa que todo dinheiro arrecadado com as exportações era consumido pelo pagamento de juros da dívida e ainda faltavam recursos. Este ano, essa relação caiu para 72,5%.
Outro indicador que serve de parâmetro para avaliação das agências de classificação de risco é a relação entre as reservas brutas do País e a dívida externa total. No caso brasileiro, em 1999, as reservas correspondiam apenas a 16,1% da endividamento. Este ano, elas representam 24,2%. Comparando a dívida total com o montante das exportações, verifica-se que, em 1999, o endividamento brasileiro era 4,7 vezes maior que o dinheiro arrecadado com as vendas externas. Em 2004, ela está apenas 2,8 vezes superior.
A diretora de classificação de risco da agência Standard & Poor's, Lisa Schineller, reconhece que houve uma melhora significativa nos indicadores brasileiros, mas pondera que essa recuperação já era esperada e, portanto, já estaria incorporada na nota atribuída ao Brasil. Sem querer tecer comentários específicos sobre possibilidades de alteração na classificação do País no curto prazo, Lisa ressalta que esses não são os únicos elementos analisados pelas agências no momento de classificar países.
''É verdade que os números estão vindo melhores do que imaginávamos, mas precisamos de mais tempo para avaliar quais serão os impactos das últimas medidas anunciadas pelo governo'', disse Schineller, referindo-se as reduções da carga tributária para as empresas visando a estimular o aumento dos investimentos e a criação de poupança de longo prazo no País.
A diretora da S&P destacou ainda que é preciso esperar as eleições municipais para verificar quais serão os verdadeiros avanços que o governo conseguirá no Congresso Nacional este ano. ''O cenário estará mais claro após outubro'', disse.


